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Autoeficácia nas palavras do próprio Albert Bandura

Este artigo traduzido faz parte dos meus estudos de doutorado. Ele fornece um referencial teórico importante para estudantes e professores...

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Autoeficácia nas palavras do próprio Albert Bandura


Este artigo traduzido faz parte dos meus estudos de doutorado. Ele fornece um referencial teórico importante para estudantes e professores. Ele define, detalha, contextualiza e exemplifica o importante conceito de autoeficácia e o papel que ela exerce na aprendizagem, nas escolhas profissionais, no bem estar pessoal e familiar e no sucesso profissional. Vale muito a pena ler. 

Amplexos,

CFC


Bandura, A. (1994). Self-efficacy. In V. S. Ramachaudran (Ed.), Encyclopedia of human behavior (Vol. 4, pp. 71-81). New York: Academic Press. (Reprinted in H. Friedman [Ed.], Encyclopedia of mental health. San Diego: Academic Press, 1998). [Obtido em http://des.emory.edu/mfp/BanEncy.html]

Traduzido por Carlos Fernando Collares

Resumo

A autoeficácia percebida é relacionada com as crenças da pessoa em suas capacidades de exercer controle sobre seu próprio funcionamento e sobre os eventos que afetam suas vidas. Crenças na eficácia pessoal afetam as escolhas de vida, o nível de motivação, a qualidade do funcionamento, a resiliência à adversidade e a vulnerabilidade ao estresse e à depressão. As crenças das pessoas em sua eficácia é desenvolvida por quatro fontes principais de influência, incluindo experiências do domínio, ver pessoas similares a si gerenciando demandas de tarefas com sucesso, a persuasão social que de a pessoa tem as capacidades de alcançar o sucesso em certas atividades, e as inferências dos estados somáticos e emocionais indicativos de forças e de vulnerabilidades pessoais. As realidades ordinárias são cheias de impedimentos, adversidades, revezes, frustrações e injustiças. As pessoas devem, consequentemente, ter um senso robusto de eficácia para sustentar o esforço perseverante necessário para alcançar o sucesso. Períodos subsequentes da vida apresentam novos tipos de demandas de competências que requerem o desenvolvimento progressivo da eficácia pessoal para o funcionamento bem sucedido. A natureza e o escopo da autoeficácia percebida submetem-se a mudanças ao longo de toda a vida.


Conteúdo
I. Fontes de crenças de autoeficácia
II. Processos mediados por eficácia
III. Benefícios adaptativos de autocrenças otimistas de eficácia
IV. Desenvolvimento e exercício da autoeficácia ao longo da vida

Glossário

Processos afetivos: Processos que regulam estados emocionais e obtenção de reações emocionais.
Processos cognitivos: Processos de pensamento envolvidos na aquisição, na organização e no uso da informação.
Motivação: Ativação para a ação. O nível de motivação é refletido na escolha dos planos de ação, e na intensidade e na persistência do esforço.
Autoeficácia percebida: Opinião da pessoa sobre suas capacidades em produzir efeitos.
Auto-regulação: Exercício da influência sobre a própria motivação, processos de pensamento, estados emocionais e padrões de comportamento.


A autoeficácia percebida é definida como a opinião da pessoa sobre suas capacidades em produzir níveis de desempenho designados que exercem influência sobre os eventos que afetam suas vidas. Crenças de autoeficácia determinam como as pessoas sentem, pensam, motivam-se e comportam-se. Tais crenças produzem efeitos diversos por meio de quatro processos principais: cognitivos, motivacionais, afetivos e processos de seleção.
Um forte senso de eficácia reforça a realização humana e o bem estar pessoal de várias maneiras. Pessoas com elevada confiança em sua capacidade abordam tarefas difíceis como desafios a serem superados ao invés de ameaças a serem evitadas. Tal perspectiva eficaz promove o interesse intrínseco e a dedicação profunda nas atividades. Essas pessoas se impõem objetivos desafiantes e mantêm forte compromisso com os mesmos. Elas aumentam e sustentam seus esforços nos fracassos. Recuperam rapidamente seu senso de eficácia após insucessos ou revezes. Atribuem a falha ao esforço insuficiente ou ao conhecimento e habilidades deficientes, os quais são adquiríveis. Abordam situações de ameaça com confiança de que podem exercer o controle sobre elas. Tal abordagem eficaz produz realizações pessoais, reduz o estresse e diminui a vulnerabilidade à depressão.

De forma oposta, pessoas que duvidam suas capacidades ficam intimidadas diante de tarefas difíceis que veem como ameaças pessoais. Têm baixas aspirações e um fraco compromisso aos objetivos que escolhem levar a cabo. Quando confrontados com tarefas difíceis, ocupam-se com suas deficiências pessoais, com os obstáculos encontrarão, e todos os tipos de resultados adversos ao invés de se concentrarem em como desempenhar sua tarefa com sucesso. Afrouxam seus esforços e desistem rapidamente face às dificuldades. São lentos em recuperar seu senso de eficácia após um fracasso ou revés. Como veem o desempenho insuficiente como aptidão deficiente, não é preciso muito fracasso para que percam a fé em suas capacidades. Caem facilmente como vítimas do estresse e da depressão.

I. Fontes de Auto-Eficácia

A opinião das pessoas sobre sua eficácia pode ser desenvolvida por quatro fontes principais de influência. A maneira mais eficaz de criar um senso forte de eficácia é por meio das experiências de domínio (“mastery experiences”). Os sucessos constroem uma opinião robusta sobre sua eficácia pessoal. As falhas minam-na, especialmente se as falhas ocorrem antes que um senso de eficácia esteja firmemente estabelecido.

Se a pessoa experimenta somente sucessos fáceis elas acabam esperando resultados rápidos e são desanimados facilmente pelos fracassos. Um senso resiliente de eficácia exige a experiência em superar obstáculos por meio do esforço perseverante. Alguns revezes e dificuldades em empreendimentos humanos têm a finalidade útil de ensinar que o sucesso exige geralmente um esforço sustentado. Depois que as pessoas se convencem que têm o que é preciso para alcançar o sucesso, perseveram face à adversidade e rapidamente se recuperam dos revezes. Ao persistir em tempos difíceis, emergem mais forte da adversidade.

A segunda maneira de criar e de reforçar as autocrenças de eficácia é por meio das experiências vicárias fornecidas por modelos sociais. Ao ver pessoas similares a si próprio alcançarem o sucesso por meio do esforço sustentado, os observadores aumentam sua própria crença de que eles também possuem capacidade de dominar atividades comparáveis requeridas para conquistar igualmente o sucesso. Pelo mesmo testemunho, ao observar o outro fracassar apesar do esforço elevado, diminuem-se os juízos dos observadores sobre sua própria eficácia e minam-se seus esforços. O impacto dos modelos na autoeficácia percebida é influenciado fortemente pela similaridade percebida com esses modelos. Maior a similaridade do observador com o modelo, mais persuasivos serão os sucessos e falhas dos modelos. Se as pessoas veem os modelos como muito diferentes de si mesmos, sua autoeficácia percebida não é tão influenciada pelo comportamento de modelos e os resultados que produzem.

Influências de modelos fazem mais do que fornecer um parâmetro social de comparação das capacidades de si mesmo. As pessoas procuram modelos proficientes que possuem as competências as quais aspiram possuir. Por meio de seus comportamentos e modos de pensar expressados, os modelos competentes transmitem conhecimento e ensinam a observadores habilidades e estratégias eficazes para controlar demandas do ambiente. A aquisição de melhores meios aumenta a percepção de autoeficácia.

A persuasão social é uma terceira maneira de fortalecer a crença das pessoas de que elas têm o que é preciso para alcançar o sucesso. As pessoas persuadidas verbalmente de que possuem as capacidades para dominar certas atividades provavelmente mobilizarão maior esforço e sustentá-lo do que aquelas que abrigam dúvidas pessoais e que se concentram nas deficiências pessoais quando os problemas surgem. Na medida em que injeções de persuasão quanto à autoeficácia percebida levam as pessoas a se esforçarem duramente para alcançar sucesso, elas acabam por promover o desenvolvimento de habilidades e um senso de eficácia pessoal.

É mais difícil instilar crenças elevadas de eficácia pessoal pela persuasão social sozinha do que para miná-las. As injeções irrealísticas de eficácia são rapidamente anuladas por resultados decepcionantes de esforços pessoais. Mas as pessoas que foram persuadidas de que lhe faltam capacidades tendem a evitar atividades desafiantes, as quais lhe cultivariam potencialidades, e rapidamente desistem frente às dificuldades. Ao restringir atividades e minar a motivação, a descrença nas próprias capacidades cria sua própria validação comportamental.

Os construtores de eficácia bem-sucedidos fazem mais do que manifestar avaliações positivas. Além do que aumentar a crença das pessoas em suas próprias capacidades, eles estruturam situações para elas de forma que elas tragam sucesso e evitam colocá-las prematuramente em situações onde provavelmente falharão com frequência. Eles medem o sucesso em termos de autodesenvolvimento ao invés de medi-lo em termos de triunfos sobre os outros.

As pessoas também contam parcialmente com seus estados somáticos e emocionais para o juízo sobre suas capacidades. Elas interpretam suas reações de estresse e tensão como sinais da vulnerabilidade ao mau desempenho. Nas atividades que envolvem a força e o vigor, as pessoas julgam suas fadigas e dores como sinais de debilidade física. O humor também afeta os julgamentos da pessoa sobre sua eficácia pessoal. O humor positivo realça a autoeficácia percebida, o humor desalentado o diminui. A quarta maneira de modificar autocrenças de eficácia é reduzir reações de estresse da pessoa e alterar suas propensões emocionais negativas e interpretações erradas de seus estados físicos.

Não é a pura intensidade das reações emocionais e físicas que importam, mas como são percebidos e interpretados. As pessoas que têm um senso elevado de eficácia provavelmente verão seu estado de excitação afetiva como um facilitador energizante do desempenho, enquanto aqueles sitiadas por dúvidas pessoais consideram sua excitação como um debilitador. Os indicadores fisiológicos de eficácia têm um papel especialmente influente no funcionamento da saúde e em atividades atléticas e outras atividades físicas.

II. Processos ativados por eficácia

Muita pesquisa tem sido conduzida sobre os quatro processos psicológicos principais pelos quais autocrenças de eficácia afetam o funcionamento humano.

A. Processos cognitivos

Os efeitos das crenças de autoeficácia nos processos cognitivos têm uma variedade de formas. Muito do comportamento humano, sendo proposital, é regulado pela incorporação de metas planejadas e valorizadas. O estabelecimento pessoal de metas é influenciado pela autoavaliação das capacidades. Quanto mais forte a autoeficácia percebida, mais elevados os desafios das metas que as pessoas estabelecem para si e mais firme é seu comprometimento às mesmas.

A maioria dos planos de ação são organizados inicialmente no pensamento. As crenças da pessoa em sua eficácia formam os tipos de cenários antecipadores que eles constroem e ensaiam. Aqueles que têm um senso elevado de eficácia visualizam cenários de sucesso que fornecem guias positivos e que apoiam seu desempenho. Aqueles que duvidam de sua eficácia visualizam cenários de fracasso e se concentram nas coisas que podem dar errado. É difícil conseguir muito enquanto a dúvida pessoal for um problema. Uma função maior do pensamento é permitir às pessoas prever eventos e desenvolver maneiras de controlar os eventos que afetam suas vidas. Tais habilidades exigem o eficaz processamento cognitivo de informações que contém muitas ambiguidades e incertezas. Na aprendizagem de regras preditivas e regulatórias as pessoas devem extrair de seu conhecimento para construir opções, para pesar e integrar fatores preditivos, para testar e revisar seus juízos a partir dos resultados imediatos e tardios de suas ações, e para recordar quais fatores que elas haviam testado e quão bem tinham funcionado.

Requer-se um forte senso de eficácia para a pessoa permanecer orientada à tarefa frente a demandas, fracassos ou revezes situacionais pressionantes que tenham repercussões significativas. Certamente, quando as pessoas são expostas à tarefa de gerenciar demandas ambientais difíceis sob circunstâncias exigentes, aqueles que são sitiadas por dúvidas pessoais sobre sua eficácia tornam-se cada vez mais erráticos no seu pensamento analítico, diminuem suas aspirações e a qualidade de seu desempenho deteriora-se. Ao contrário, aqueles que mantêm um senso resiliente de eficácia apontam para si metas desafiantes e usam o bom pensamento analítico, o que se demonstra em realizações de desempenho.

B. Processos motivacionais

Autocrenças de eficácia têm um papel chave na autorregulação da motivação. A maioria da motivação humana é gerada cognitivamente. As pessoas motivam-se e guiam suas ações de modo antecipatório pelo exercício da premeditação (planejamento antecipado, precaução ou “forethought”). Dão forma à opinião sobre o que podem fazer. Antecipam resultados prováveis de ações prospectivas. Ajustam metas para si e planejam cursos de ação desenhados para realizar futuros desejados.

Há três formas diferentes de motivadores cognitivos em torno das quais diferentes teorias foram construídas. Elas incluem atribuições causais, expectativas de resultado e metas conscientizadas. As teorias correspondentes são a teoria da atribuição, a teoria da expectativa-valor e a teoria das metas, respectivamente. As crenças de autoeficácia operam em cada um desses tipos de motivação cognitiva. Crenças de autoeficácia influenciam atribuições causais. Pessoas que se consideram altamente eficazes atribuem suas falhas ao esforço insuficiente; aqueles que se consideram ineficazes atribuem suas falhas à baixa habilidade. As atribuições causais afetam a motivação, o desempenho e reações afetivas principalmente por meio de crenças de autoeficácia.

Na teoria da expectativa-valor, a motivação é regulada pela expectativa que um dado curso de comportamento produzirá determinados resultados e o valor daqueles resultados. Mas as pessoas atuam em suas crenças sobre o que são capazes de fazer, assim como em sua opinião sobre os resultados prováveis do desempenho. A influência motivadora das expectativas de resultado é governada, portanto, em parte pelas autocrenças de eficácia. Há incontáveis opções atrativas que as pessoas não levam a cabo porque se julgam sem competência para elas. A preditividade da teoria da expectativa-valor é reforçada ao se incluir a influência da autoeficácia percebida.

A capacidade de exercer autoinfluência por metas desafiadoras e pela reação avaliativa às suas próprias realizações fornece um mecanismo cognitivo principal da motivação. Um grande número de evidências mostra que metas desafiadoras e explícitas reforçam e sustentam a motivação. Os objetivos operam em maior parte através de processos de autoinfluência ao invés de regular a motivação e a ação diretamente. A motivação baseada no estabelecimento de metas envolve um processo cognitivo de comparação. Ao tornar a satisfação pessoal condicional em metas correspondentes adotadas, as pessoas dão direção a seu comportamento e criam incentivos para persistir em seus esforços até que cumpram seus objetivos. Procuram a satisfação pessoal de cumprir suas metas desejadas e são propensos a intensificar seus esforços no descontentamento com desempenhos inferiores.

A motivação baseada em metas ou em padrões pessoais é governada por três tipos de autoinfluências. Entre elas, incluem-se as reações autosatisfatórias e autoinsatisfatórias ao seu desempenho, autoeficácia percebida para a realização da meta, e reajuste das metas pessoais baseados em seu progresso.  As crenças de autoeficácia contribuem para a motivação de diversas maneiras: determinam as metas que as pessoas definem para si; quanto esforço elas despendem; quanto tempo perseveram frente às dificuldades; e sua resiliência aos fracassos. Quando confrontados com obstáculos e fracassos, as pessoas que abrigam dúvidas pessoais sobre suas capacidades afrouxam seus esforços ou desistem rapidamente. Aqueles que possuem uma forte opinião sobre suas capacidades exercem maior esforço quando fracassam em dominar o desafio. A perseverança forte contribui para as conquistas de desempenho.

C. Processos afetivos

As crenças das pessoas em relação às suas capacidades de enfrentamento afetam o quanto de estresse e depressão elas experimentam em situações ameaçadoras ou difíceis, assim como o seu nível de motivação. A autoeficácia percebida para o exercício do controle sobre fatores estressantes tem um papel fundamental no despertar da ansiedade. As pessoas que acreditam poder exercitar controle sobre ameaças não evocam padrões de pensamento perturbadores. Mas aquelas que acreditam não poderem controlar as ameaças experimentam elevado despertar de ansiedade. Eles se preocupam com suas deficiências para enfrentamentos. Veem muitos aspetos de seu ambiente como cheios de perigo. Ampliam a severidade de ameaças possíveis e preocupam-se com coisas que acontecem raramente. Com tal pensamento ineficaz afligem-se e prejudicam seu nível de funcionamento. A percepção de autoeficácia para enfrentamentos regula o comportamento da evitação assim como o despertar da ansiedade. Quanto mais forte o senso de autoeficácia, mais arrojadas são as pessoas em desenvolver atividades exigentes e ameaçadoras.

O despertar da ansiedade é afetado não somente pela eficácia percebida para enfrentamentos mas pela eficácia percebida para controlar pensamentos perturbadores. O exercício do controle sobre sua própria consciência é bem resumido no provérbio: “Você não pode impedir que os pássaros da preocupação e da precaução voem sobre sua cabeça. Mas você pode evitar que eles construam um ninho em sua cabeça.” A autoeficácia percebida para controlar processos de pensamento é um fator chave na regulação do estresse e da depressão produzidos por pensamentos. Não é a frequência absoluta de pensamentos perturbadores, mas a inabilidade percebida de desligá-los que é a principal fonte de aflição. Tanto a autoeficácia percebida para enfrentamentos quanto a eficácia do controle de pensamento operam de forma conjunta para reduzir a ansiedade e o comportamento de evitação.

A teoria social cognitiva prescreve que as experiências de domínio são os principais meios de mudança da personalidade. O domínio guiado é um veículo poderoso para instilar um senso robusto de eficácia para o enfrentamento em pessoas cujo funcionamento está seriamente danificado por apreensões intensas e por reações fóbicas autoprotetoras. As experiências de domínio são estruturadas de modo a construir habilidades de enfrentamento e instilar crenças de que a pessoa pode exercitar o controle sobre ameaças potenciais. Os fóbicos intratáveis, naturalmente, não estão a ponto de fazer o que temem. Deve-se, consequentemente, criar um ambiente seguro de modo que o fóbico incapacitado possa desempenhar com sucesso, apesar deles mesmos. Isto é conseguido listando-se uma variedade de auxílios ao domínio do desempenho. As atividades temidas são modeladas para mostrar às pessoas como enfrentar as ameaças e desconfirmar seus piores temores. As tarefas de enfrentamento são divididas em subtarefas de etapas facilmente dominadas. Executar atividades temidas junto com o terapeuta permite que o fóbico faça coisas as quais ele resistiria a fazer só. Outra maneira de superar a resistência é usar tempo graduado. Fóbicos recusarão tarefas ameaçadoras se tiverem que resistir ao estresse por muito tempo. Mas arriscá-los-ão por um curto período. Com o aumento da eficácia de enfrentamento, o tempo em que executam a atividade é prolongado. Os apoios protetores e a dosagem da severidade das ameaças igualmente ajudam a restaurar e desenvolver um senso de eficácia de enfrentamento.

Após o funcionamento ser restaurado inteiramente, os apoios ao domínio são retirados para verificar que os sucessos de enfrentamento provêm de eficácia pessoal e não dos apoios ao domínio. As experiências de domínio autodirigidas, projetadas para fornecer testes confirmatórios variados de capacidades de enfrentamento, são arranjadas então para reforçar e generalizar o senso de eficácia de enfrentamento. Uma vez que as pessoas desenvolvem um senso resiliente de eficácia, elas podem suportar dificuldades e adversidades sem efeitos adversos.

O tratamento de domínio guiado consegue mudanças psicológicas difusas em um período de tempo relativamente curto. Ele elimina o comportamento fóbico e a ansiedade, e reações biológicas de estresse, cria atitudes positivas e erradica ruminações e pesadelos fóbicos. A evidência de que a conquista da eficácia de enfrentamento afeta profunda a atividade de sonhar é um impacto generalizado particularmente relevante.

Um baixo senso de eficácia em exercer controle produz depressão, além de ansiedade. Faz isso de diversas maneiras diferentes. Uma rota para a depressão são as aspirações não realizadas. As pessoas que se impõem padrões de autovalor que julgam não poder alcançar lançam a si mesmos a ataques da depressão. Uma segunda rota eficaz para a depressão é pelo baixo senso de eficácia social. As pessoas que se julgam socialmente eficazes procuram e cultivam os relacionamentos sociais que fornecem modelos de como controlar situações difíceis, amortecem os efeitos adversos de fatores estressores crônicos e trazem satisfação à vida das pessoas. A ineficácia social percebida para desenvolver relacionamentos satisfatórios e de apoio aumenta a vulnerabilidade à depressão com o isolamento social. Muito da depressão humana é gerada cognitivamente por pensamentos depreciativos ruminativos. Um baixo senso de eficácia em exercer controle sobre o pensamento ruminativo igualmente contribui para a ocorrência, a duração e o retorno de episódios depressivos.

Outros processos ativados por eficácia no domínio afetivo referem-se ao impacto da autoeficácia de enfrentamento percebida nos sistemas biológicos que afetam o funcionamento da saúde. O estresse tem sido implicado como um fator contributivo importante para muitas disfunções físicas orgânicas. A controlabilidade parece ser um princípio de organização chave a respeito da natureza desses efeitos do estresse. Não são debilitantes as condições fatigantes da vida propriamente ditas, mas as inabilidades percebidas em controlá-las. Assim, a exposição aos fatores estressores com habilidade de controlá-los não tem nenhum efeito biológico adverso. Mas a exposição aos mesmos fatores estressores sem a habilidade de controlá-los danifica o sistema imunológico. O prejuízo da função imunitária aumenta a suscetibilidade à infeção, contribui para o desenvolvimento de transtornos físicos e acelera a progressão de doenças.

Os sistemas biológicos são altamente interdependentes. Um senso fraco de eficácia em exercer o controle sobre fatores estressores ativa reações autonômicas, a secreção de catecolaminas e a liberação de opióides endógenos. Esses sistemas biológicos são envolvidos no regulamento do sistema imunitário. O estresse ativado no processo de adquirir capacidades de enfrentamento pode ter efeitos diferentes daquele estresse experimentado em situações adversas sem quaisquer possibilidades em vista de obter alguma eficácia autoprotetora. Há benefícios evolucionários substanciais em experimentar o reforço da função imune durante o desenvolvimento das capacidades de enfrentamento vitais para a adaptação eficaz. Não seria evolucionariamente vantajoso se os fatores de estresse agudos invariavelmente danificassem a função imune, por causa de sua predominância na vida quotidiana. Se esse fosse o caso, as pessoas experimentariam vulnerabilidade elevada aos agentes infecciosos que as arruinariam rapidamente. Há alguma evidência que fornecer às pessoas os meios eficazes para controlar fatores de estresse pode ter um efeito positivo na função imune. Além disso, o estresse gerado no processo de obtenção do domínio de enfrentamento sobre fatores de estresse pode reforçar diferentes componentes do sistema imunitário.

Há outras maneiras pelas quais a autoeficácia percebida serve para promover a saúde. Os hábitos de estilo de vida podem reforçar ou danificar a saúde. Isso permite às pessoas exercer influência comportamental sobre sua vitalidade e qualidade da saúde. A autoeficácia percebida afeta cada fase de mudança pessoal – desde se as pessoas consideram mesmo mudar seus hábitos da saúde; se recrutam a motivação e a perseverança necessárias para alcançar sucesso se assim escolherem fazê-lo; bem como bom manter as mudanças de hábitos que conquistaram. Mais forte a eficácia autorreguladora percebida, mais bem-sucedidos as pessoas são na diminuição hábitos que danificam a saúde e na adoção e integração de hábitos promotores de saúde em seu estilo de vida regular. Os programas comunitários abrangentes projetados para prevenir doença cardiovascular alterando hábitos relacionados a riscos são capazes de reduzir as taxas de morbidade e mortalidade.

D. Processos de seleção

A discussão tem se centrado até agora nos processos ativados por eficácia que permitem às pessoas criar ambientes benéficos e exercer algum controle sobre aqueles encontram no dia-a-dia. As pessoas são em parte produto de seu ambiente. Consequentemente, a crenças de eficácia pessoal podem dar forma ao curso que as vidas tomam ao influenciar os tipos de atividades e ambientes que as pessoas escolhem. As pessoas evitam atividades e situações que acreditam exceder suas capacidades de enfrentamento. Mas empreendem prontamente atividades desafiantes e escolhem situações que julgam serem capazes de lidar. Pelas escolhas que fazem, as pessoas cultivam diferentes competências, interesses e redes sociais que determinam cursos de vida. Qualquer fator que influencie o comportamento de escolha pode afetar profundamente o senso de desenvolvimento pessoal. Isto se dá porque as influências sociais que se operam em ambientes selecionados continuam a promover determinadas competências, valores e interesses muito após o determinante decisional de eficácia apresentar seu efeito inaugural.

A escolha e o desenvolvimento da carreira são mais um exemplo do poder das crenças de autoeficácia em afetar as trajetórias dos cursos de vida ao longo de processos relacionados a escolhas. Quão maior o nível de autoeficácia percebida pela pessoa, mais abrangente o rol de opções de carreira que consideram seriamente, maior seu interesse nelas, e melhor elas se preparam educacionalmente para os objetivos ocupacionais escolhidos, e maior é seu sucesso. As ocupações estruturam uma boa parte das vidas da pessoa e fornecem-nas uma fonte principal de crescimento pessoal.

III. Benefícios adaptativos das autocrenças otimistas de eficácia

Há um crescente conjunto de evidências de que as realizações humanas e o bem estar positivo requeiram um senso otimista de eficácia pessoal. Isto se dá porque as realidades sociais ordinárias estão cheiras de dificuldades. Estão cheias de impedimentos, adversidades, revezes, frustrações e injustiças. As pessoas devem ter um senso robusto de eficácia pessoal para sustentar o esforço perseverante necessário para alcançar o sucesso. Nos objetivos cheios de obstáculos, os realistas  ou desistem, abortando seus esforços prematuramente quando as dificuldades se levantam, ou se tornam cínicas sobre os prospectos de efetuar mudanças significativas.

Acredita-se amplamente que o juízo errôneo produz problemas pessoais. Certamente, o erro de cálculo grosseiro pode ocasionar problemas. Entretanto, o valor funcional de uma autoavaliação precisa depende da natureza da atividade. As atividades nas quais os erros podem produzir consequências caras ou prejudiciais clamam para a autoavaliação precisa das capacidades. São assuntos distintos onde as realizações difíceis podem produzir benefícios pessoais e sociais substanciais e os custos que envolvem o tempo, o esforço, e os recursos utilizáveis pela pessoa. As pessoas com um senso elevado de eficácia têm o poder de permanecer resistindo aos obstáculos e revezes que caracterizam empreendimentos difíceis.

Quando as pessoas erram em sua autoavaliação tendem a superestimar suas capacidades. Isto é mais algo benefício do que uma falha cognitiva a ser erradicada. Se as crenças de eficácia sempre refletissem somente p que pessoas podem fazer rotineiramente, elas falhariam raramente, mas também não seriam capazes de ajustar aspirações além de seu alcance imediato nem dedicariam o esforço extra necessário para ultrapassar seus desempenhos ordinários.

As pessoas que experimentam muita aflição foram comparadas em suas habilidades e crenças em suas capacidades com os aqueles que não sofrem de tais problemas. Os resultados mostram que frequentemente a pessoa é normal, mas distorce a realidade. Mas mostram auto reforço de vieses e e distorcem-na no senso positivo. As pessoas socialmente ansiosas ou inclinadas à depressão são frequentemente apenas tão socialmente hábeis como aquelas que não sofrem de tais problemas. Mas as pessoas normais acreditam que são muito mais aptos do que realmente são. As pessoas não-deprimidas igualmente têm uma crença mais forte de que exerçam algum controle sobre as situações.

Os reformistas sociais acreditam fortemente que podem mobilizar o esforço coletivo necessário para trazer mudança social. Embora suas opiniões raramente sejam inteiramente realizadas, eles sustentam esforços de reforma que conquistam ganhos importantes. Se os reformistas sociais fossem inteiramente realísticos sobre as possibilidades de transformar sistemas sociais, eles ou abandonariam o esforço ou cairiam vítimas fáceis ao desânimo. Os realistas podem adaptar-se bem às realidades existentes. Mas aqueles com uma autoeficácia tenaz são mais provavelmente capazes de mudar aquelas realidades.

As realizações inovadoras igualmente exigem um senso resiliente da eficácia. As inovações exigem o investimento pesado de esforço durante um longo período com resultados incertos. Além disso, as inovações que se chocam com as preferências e as práticas existentes encontram reações sociais negativas. Consequentemente, é de se esperar que raramente se encontrem realistas nos rankings de inovadores e grandes empreendedores.

Em seu livro delicioso, intitulado “Rejeição”, John White fornece o testemunho vívido, que a caraterística marcante das pessoas que conseguiram eminência em suas áreas é um senso inextinguível de eficácia pessoal e uma opinião firme no valor do que estão fazendo. Este sistema resiliente de autocrença permitiu-o à superar repetidas rejeições precoces de seu trabalho.

Muitos de nossos clássicos literários trouxeram a seus autores rejeições incontáveis.  “Dublinenses” de James Joyce, foi rejeitado por 22 editores. Gertrude Stein continuou a submeter poemas aos editores por 20 anos antes que um tenha sido finalmente aceito. Mais de uma dúzia de editores rejeitaram um manuscrito de E.E. Cummings. Quando finalmente foi publicado, por sua mãe, a dedicação lida, em letras maiúsculas: Sem agradecimentos a… seguida da lista de 16 editores que tinham rejeitado seu manuscrito.

A rejeição precoce é a regra, mais que a exceção, em outros esforços criativos. Os impressionistas tiveram que arranjar suas próprias exposições porque seus trabalhos foram rejeitados rotineiramente pelo Salão de Paris. Van Gogh vendeu somente uma pintura durante sua vida. Rodin foi rejeitado três vezes para a admissão à Escola de Belas Artes.

Os trabalhos musicais da maioria dos compositores ilustres foram inicialmente recebidos com mofa. Stravinsky foi expulso da cidade por parisienses irritados e por críticos quando ele lhes serviu primeiramente com o “Ritual da Primavera”. Na cultura pop contemporânea certos comediantes não foram melhores. A gravadora Decca rejeitou um contrato da gravação com o Beatles com a avaliação não-profética: “nós não gostamos do som deles. Os grupos de guitarra estão por fora”. A gravadora Columbia foi a próxima a recusá-los.

As teorias e as tecnologias que que estão à frente de seu tempo sofrem geralmente rejeições repetidas. O pioneiro do foguete, Robert Goddard, foi amargamente rejeitado por seus pares científicos sob o argumento de que a propulsão de foguete não trabalharia na atmosfera rarefeita do espaço. Por causa da recepção fria dada às inovações, o tempo entre a concepção e a realização técnica é desmotivadoramente longo.

A moral do “Livro Das Rejeições” é que as rejeições não devem ser muito precocemente consideradas fracassos pessoais. Fazer isso é autolimitante.

Em suma, os bem-sucedidos, os ousados, os sociáveis, os não-ansiosos, não-deprimidos, os reformistas sociais, e os inovadores adquirem uma ideia otimista de suas capacidades pessoais para exercer influência sobre os eventos que afetam suas vidas. Se não forem irrealisticamente exageradas, tais autocrenças estimulam o bem-estar positivo e as realizações humanas.

Muitos dos desafios da vida são problemas de grupo que exigem o esforço coletivo para produzir a mudança significativa. A força dos grupos, das organizações, e mesmo das nações encontra-se em parte no senso pessoal de eficácia coletiva que eles podem resolver os problemas que enfrentam e melhorar suas vidas com o esforço unificado. As crenças das pessoas em sua eficácia coletiva influenciam o que escolhem fazer como um grupo, o quanto esforço põem nisso, sua persistência quando os esforços coletivos não produzem resultados rápidos, bem como suas probabilidade de sucesso.

IV. Desenvolvimento e exercício da autoeficácia ao longo da vida

As diversas fases da vida apresentam determinados tipos de demandas de competência para o funcionamento bem sucedido. Estas mudanças normativas nas competências exigidas com a idade não representam estágios fechados através dos quais todos devem inevitavelmente passar. Há muitos caminhos ao longo da vida e, em todo o período dado, As pessoas variam substancialmente em como gerenciam suas vidas de forma eficaz. As seções a seguir fornecem uma breve análise das mudanças no desenvolvimento caraterísticas na natureza e no escopo da autoeficácia percebida ao longo da vida.

A. Origens de um senso de agência pessoal

O recém-nascido vem sem nenhum senso de si mesmo. As experiências exploratórias das crianças nas quais elas se veem produzindo efeitos a partir de suas ações fornecem a base inicial no desenvolvimento de um senso da eficácia. Agitar um chocalho produz sons previsíveis, pontapés enérgicos balançam seus berços, e os gritos trazem adultos. Repetidamente observando que os eventos ambientais ocorrem com ação, mas não em sua ausência, os bebês aprendem que as ações produzem efeitos. As crianças que experimentam o sucesso em controlar eventos ambientais se tornam mais atentos a seu próprio comportamento e mais competentes em aprender novas respostas eficazes, do que as crianças para quem os mesmos eventos ambientais ocorrem independentemente de como se comportam.

O desenvolvimento de um senso de eficácia pessoal exige mais do que simplesmente a produção de efeitos por ações. Tais ações devem ser percebidas como parte de si mesmo. O self torna-se diferenciado do outro por meio da experiência dissimilar. Se o ato de se alimentar traz o conforto, ao passo que ver outro se alimentar não tem nenhum efeito similar, sua própria atividade torna-se distinta daquela de todas as pessoas restantes. À medida que as crianças começam a amadurecer, as pessoas em torno delas se referem a elas e tratam-nas como pessoas distintas. Baseado nas crescentes experiências pessoais e sociais elas consequentemente dão forma a uma representação simbólica de si mesmas como um self distinto.

B. Fontes Familiais de Autoeficácia

As crianças jovens devem ganhar o autoconhecimento de suas capacidades em crescentes áreas de funcionamento. Têm que desenvolver, avaliar e testar suas capacidades físicas, suas competências sociais, suas habilidades linguísticas, e suas habilidades cognitivas para compreender e controlar as muitas situações que encontram diariamente. O desenvolvimento das capacidades sensorimotoras expande extremamente o ambiente exploratório das crianças e os meios para atuar em cima dele. Estas atividades exploratórias e lúdicas precoces, que ocupam muitas das horas de vigília das crianças, fornecem oportunidades para ampliar seus repertórios de habilidades e seus sensos básicos de eficácia.

As experiências bem sucedidas no exercício do controle pessoal são centrais ao desenvolvimento precoce das competências social e cognitiva. Os pais que são responsivos ao comportamento dos seus filhos, e que criam oportunidades para ações eficazes fornecendo um ambiente físico enriquecido e permitindo a livre circulação para a exploração, têm filhos com desenvolvimento social e cognitivo acelerado. A responsividade parental aumenta a competência cognitiva, e as capacidades expandidas dos filhos geram maior responsividade parental em uma influência em ambos os sentidos. O desenvolvimento da linguagem fornece às crianças os meios simbólicos para refletirem sobre suas experiências e sobre o que os outros lhes dizem sobre suas capacidades e, assim, expandir seu autoconhecimento do que pode e não pode fazer.

As experiências iniciais de eficácia são centradas na família. Mas como o crescente mundo social da criança se expande rapidamente, os pares tornam-se cada vez mais importantes no autoconhecimento progressivo das crianças sobre suas capacidades. É no contexto de relações de pares que a comparação social entra fortemente em cena. No início, os companheiros mais próximos em termos comparativos de idade são os irmãos. As famílias diferem no número de irmãos, quão distantes são suas idades, e na distribuição deles quanto ao sexo. As estruturas familiares diferentes, refletidas no tamanho da família, ordem de nascimento, e padrões de constelações de irmãos, criam comparações sociais diferentes para julgar a eficácia de uma pessoa. Irmãos mais novos encontram-se na posição desfavorável de julgar suas capacidades com relação a irmãos mais velhos que possam estar muitos anos adiantados em seu desenvolvimento.

C. Expansão da Autoeficácia por meio de influências de pares

As experiências de testagem da eficácia das crianças mudam substancialmente enquanto elas se movem cada vez mais em direção à comunidade maior. É em relacionamentos com pares que expandem o autoconhecimento de suas capacidades. Os pares servem diversas funções importantes de eficácia. Aqueles que são mais experientes e competentes fornecem modelos de estilos eficazes de pensamento e comportamento. Uma quantidade vasta de aprendizagem social ocorre entre pares. Além disso, companheiros de idade fornecem comparações altamente informativas para alguém julgar e verificar sua própria autoeficácia. As crianças são, consequentemente, especialmente sensíveis a sua posição relativa entre os pares nas atividades que determinam o prestígio e a popularidade.

Os pares não são nem homogêneos nem selecionados indiscriminadamente. As crianças tendem a escolher pares que compartilham de interesses e de valores similares. A associação seletiva dos pares promoverá a autoeficácia na direção do interesse mútuo, deixando outras potencialidades subdesenvolvidas. Porque os pares servem como uma influência principal no desenvolvimento e na validação da autoeficácia, relações com pares disfuncionais ou empobrecidas podem afetar adversamente o crescimento da eficácia pessoal. Um baixo senso de eficácia social pode, por sua vez, criar obstáculos internos aos relacionamentos com pares favoráveis. Assim, as crianças que se consideram como socialmente ineficazes afastam-se socialmente, percebem uma baixa aceitação por seus pares e tem um baixo senso de autovalor. Há algumas formas de comportamento onde um senso elevado de eficácia pode ser socialmente alienante ao invés de socialmente afiliante. Por exemplo, as crianças que recorrem prontamente à agressão percebem-se como altamente eficazes em conseguir coisas que querem por meios agressivos.

D. Escola como uma agência para cultivar a Autoeficácia cognitiva

Durante o crucial período formativo das vidas das crianças, a escola funciona como o local primário para o cultivo e a validação social de competências cognitivas. A escola é o lugar onde as crianças desenvolvem as competências cognitivas e adquirem o conhecimento e as habilidades de resolução de problemas essenciais para participar eficazmente na sociedade maior. Aqui seus conhecimentos e habilidades de pensamento são testados continuamente, avaliados, e comparados socialmente. À medida que as crianças dominam habilidades cognitivas, elas desenvolvem um senso crescente de sua eficácia intelectual. Muitos fatores sociais, além da educação formal, como a modelagem de habilidades cognitivas por pares, a comparação social de desempenhos com outros estudantes, o reforço motivacional com metas e incentivos positivos, e interpretações dos professores sobre sucessos e fracassos, de formas que reflitam favorável ou desfavoravelmente na sua habilidade também afetam os julgamentos das crianças sobre sua eficácia intelectual.

A tarefa de criar ambientes de aprendizagem condutores do desenvolvimento de habilidades cognitivas depende pesadamente dos talentos e da autoeficácia dos professores. Aqueles que têm um senso elevado de eficácia sobre suas capacidades de ensino podem motivar seus estudantes e reforçar seu desenvolvimento cognitivo. Professores que têm um baixo senso de eficácia educacional são propensos a seguirem uma orientação “carcerária” que depende pesadamente de sanções negativas para conseguirem fazer os estudantes estudarem.

Os professores operam coletivamente dentro de um sistema social interativo mais do que indivíduos isolados. Os sistemas de crença das equipes de funcionários criam as culturas escolares que podem ter efeitos tanto de vitalização como de desmoralização sobre o quão bem as escolas funcionam como um sistema social. Escolas nas quais a equipe de funcionários se julga coletivamente impotente para conseguir que os estudantes consigam sucesso acadêmico carrega um senso de grupo de futilidade acadêmica que pode contaminar toda a vida escolar. As escolas em que os membros da equipe se julgam coletivamente capazes de promover o sucesso acadêmico impregnam suas escolas com uma atmosfera positiva para o desenvolvimento que promove realizações acadêmicas, não obstante se são estudantes predominantemente abastados ou desfavorecidos.

As crenças dos estudantes em suas capacidades para dominar atividades acadêmicas afetam suas aspirações, seu nível de interesse em atividades acadêmicas, e suas realizações acadêmicas. Há um número de práticas escolares que, para os menos talentosos ou para aqueles mal preparados, tendem a tornar as experiências educacionais ineficazes. Incluem-se entre elas as etapas fechadas de instrução, as quais perdem muitas crianças ao longo do caminho; agrupamentos de estudantes por nível de habilidade o que diminui ainda mais a autoeficácia percebida naqueles estudantes alocados para os níveis mais baixos; e nas práticas competitivas onde muitos são condenados à falha para o sucesso de relativamente poucos.

As estruturas da sala de aula afetam o desenvolvimento da autoeficácia intelectual, em grande parte, pela ênfase relativa colocada na comparação social versus a avaliação da autocomparação. As autoavaliações de estudantes menos capazes sofrem mais quando o grupo inteiro estuda o mesmo material e os professores fazem avaliações comparativas frequentemente. Sob uma estrutura tão monolítica os estudantes classificam-se de acordo com a capacidade com consenso elevado. Uma vez estabelecidas, as reputações não são mudadas facilmente. Em uma estrutura personalizada da sala de aula, a instrução particularizada adaptada ao conhecimento e às habilidades dos estudantes permite que todos possam expandir suas competências e fornece menos base para a comparação social desmoralizadora. Em consequência, os estudantes são mais propensos a comparar sua taxa de progresso com seus padrões pessoais do que ao desempenho de outro. A autocomparação da melhoria em uma estrutura personalizada de sala de aula aumenta a capacidade percebida. As estruturas de aprendizagem cooperativas, nas quais os estudantes trabalham junto e ajudam uns aos outros igualmente tendem a promover autoavaliações mais positivas da capacidade e realizações acadêmicas mais elevadas do que fazem as pessoas individualistas ou competidoras.

E. Crescimento da Autoeficácia pelas experiências transicionais da adolescência

Cada período de desenvolvimento traz com ele novos desafios para a eficácia de enfrentamento. À medida que os adolescentes se aproximam das demandas da idade adulta, eles devem aprender a assumir a responsabilidade total por si mesmos em quase todas as dimensões da vida. Isto exige o domínio de muitas novas habilidades e dos modos da sociedade adulta. Aprendendo como tratar as mudanças da puberdade, as parcerias com envolvimento emocional e a sexualidade transformam-se em matéria de importância considerável. A tarefa de escolher qual vida profissional irá levar a cabo também aparece forte durante esse período. Estes são algumas das áreas em que novas competências e autocrenças de eficácia têm que ser desenvolvidas.

Com independência crescente durante a adolescência alguma experimentação com comportamento arriscado não é de todo raro. Os adolescentes expandem e reforçam seu senso de eficácia aprendendo a lidar com sucesso com assuntos potencialmente incômodos nos quais não possuem prática assim como com eventos de vida vantajosos. O isolamento das situações problemáticas deixa o indivíduo insuficientemente preparado para lidar com as dificuldades potenciais. Se os adolescentes abandonam as atividades arriscadas se tornam cronicamente enredadas nelas é algo determinado pela interação de competências pessoais, da eficácia de autogerência e das influências prevalentes em suas vidas.

Ambientes perigosos empobrecido apresentam realidades especialmente duras com recursos e suporte social mínimos para objetivos culturalmente valorizados, mas com modelagem, incentivos e sustentações sociais extensas para estilos transgressivos de comportamento. Tais ambientes restringem severamente a eficácia de enfrentamento da juventude enredada nos mesmos para que consigam atravessar a adolescência de maneira a não impedir irreversivelmente muitas trajetórias de vida benéficas.

A adolescência tem sido caraterizada frequentemente como um período de agitação físico-social. Enquanto nenhum período de vida está livre de problemas, contrariamente ao estereótipo da “tempestade e do estresse,” a maioria de adolescentes negociam as transições importantes deste período sem um impróprio distúrbio ou o desacordo. Entretanto, jovens que entram na adolescência sitiados por um senso desabilitante de ineficácia transportam sua vulnerabilidade para a aflição e para uma debilidade às demandas ambientais novas. A facilidade com a qual a transição da infância para as demandas da idade adulta é feita de forma similar depende da força da eficácia pessoal acumulada por meio de experiências prévias de domínio.

F. interesses da Autoeficácia da idade adulta

A idade adulta jovem é um período em que as pessoas têm que aprender a lidar com muitas novas demandas que surgem a partir das parcerias duráveis, dos relacionamentos maritais, da paternidade, e das carreiras ocupacionais. Como nas tarefas de domínio anteriores, um senso firme da autoeficácia é um contribuinte importante à conquista de competências futuras e de sucesso. Aqueles que entram na idade mal equipados com habilidades e flagelado por dúvidas pessoais consideram que muitos aspectos de sua vida adulta são estressantes e deprimentes.

Começar uma carreira vocacional produtiva consiste em um desafio principal de transição no início da idade adulta. Há um número de maneiras nas quais crenças de autoeficácia contribuem ao desenvolvimento e ao sucesso de carreira em objetivos vocacionais. Em fases preparatórias, a autoeficácia percebida das pessoas determina em parte o quão bem elas desenvolvem suas habilidades cognitivas, autogerenciais e interpessoais básicas nas quais as carreiras ocupacionais são fundadas. Como notado anteriormente, as crenças a respeito de suas próprias capacidades são influentes determinantes das trajetórias de vida profissional que são escolhidos.

Uma coisa é começar a perseguir um objetivo ocupacional, outra coisa é fazê-lo bem e avançar nele. As habilidades psicossociais contribuem mais pesadamente no sucesso da carreira do que as habilidades técnicas ocupacionais. O desenvolvimento de capacidades de enfrentamento e de habilidades em gerenciar suas motivações, estados emocionais e processos de pensamento aumentam a eficácia autorregulatória percebida. Quanto mais elevado o senso de eficácia autorregulatória, melhor o funcionamento ocupacional. As mudanças tecnológicas rápidas no local de trabalho moderno estão conferindo um valor crescente às habilidades elevadas na resolução de problemas e na autoeficácia resiliente para enfrentar eficazmente com realocações de trabalho e reestruturação de atividades vocacionais.

A transição para a paternidade empurra de repente os jovens adultos dentro do papel expandido de tanto pai quanto esposo. Agora não somente têm que tratar os desafios sempre mutáveis de criar os filhos, mas também gerenciar relacionamentos interdependentes dentro de um sistema da família e as ligações sociais aos muitos sistemas sociais extrafamiliais, incluindo instituições educacionais, recreacionais, médicas, e creches. Pais que são seguros de sua eficácia parental criam suas crianças adequadamente ao longo das várias fases do desenvolvimento sem problemas graves ou de tensão severa no relacionamento marital. Mas pode ser um período de dificuldades para aqueles que carecem de um senso de eficácia para gerenciar as demandas familiares expandidas. São altamente vulneráveis ao estresse e à depressão.

Um número crescente de mães está se juntando à força de trabalho tanto por necessidade econômica quanto por preferência pessoal. Combinar a família e a carreira tem sido agora o padrão normativo. Isso exige a gerência das demandas de ambos os papéis, familial e ocupacional. Por causa do atraso cultural entre as práticas sociais e o status da mulher em transformação, elas continuam a carregar a maior parte da responsabilidade doméstica. Mulheres que têm um senso forte de eficácia em gerenciar as demandas múltiplas da família e do trabalho e convocar a ajuda dos maridos no cuidado com os filhos experimentam um senso positivo de bem estar. Mas aqueles que estão sitiados por dúvidas pessoais em sua habilidade de combinar os papéis duplos sofrem a tensão física e emocional.

Na meia idade, as pessoas se acomodam nas rotinas estabelecidas que estabilizam seu senso de eficácia pessoal nas principais áreas de funcionamento. Entretanto, a estabilidade é instável porque a vida não permanece estática. As mudanças tecnológicas e sociais rápidas exigem constantemente adaptações que chamam para autorreavaliações das capacidades. Em suas profissões, as pessoas de meia idade encontram-se pressionadas por desafiadores mais jovens. Situações nas quais as pessoas devem competir por promoções, status, e mesmo o próprio trabalho, forçam a constantes autoavaliações das capacidades por meio da comparação social com concorrentes mais novos.

G. Reavaliações da Autoeficácia com a idade avançada

As introduções da autoeficácia do idoso centram-se em reavaliações e avaliações errôneas das suas capacidades. As concepções biológicas do envelhecimento focam-se extensivamente no declínio das habilidades. Muitas capacidades físicas diminuem enquanto as pessoas envelhecem; portanto, são exigidas reavaliações da autoeficácia para as atividades em que as funções biológicas estiverem significativamente afetadas. Entretanto, os ganhos no conhecimento, nas habilidades, e na perícia (“expertise”) compensam alguma perda nos recursos de capacidade física. Quando as pessoas idosas são ensinadas usar suas capacidades intelectuais, sua melhoria no funcionamento cognitivo supera o decréscimo médio no desempenho de duas décadas. Porque as pessoas raramente exploram sua capacidade plena, as pessoas idosas que dedicam o esforço necessário podem funcionar a níveis mais elevados que adultos mais jovens. Ao afetar o nível de participação nas atividades, a autoeficácia  percebida pode contribuir na manutenção do funcionamento social, físico e intelectual ao longo do tempo da vida adulta.

Pessoas idosas tendem a julgar mudanças em suas capacidades intelectuais principalmente em termos de desempenho da memória. Os lapsos e as dificuldades na memória que os adultos novos desconsideram são mais provavelmente interpretados por adultos mais velhos como indicadores de declínio nas capacidades cognitivas. Aqueles que consideram a memória como uma capacidade biológica decrescente com o envelhecimento tem baixa crença em suas capacidades de memória e dedicam pouco esforço para se recordar das coisas. Adultos mais velhos que tem um senso mais forte de eficácia de memória exercem maior esforço cognitivo para ajudar na sua recordação e, em consequência, para conseguir melhor memória.

Muita variabilidade existe ao longo dos domínios comportamentais e dos níveis educacionais e socioeconômicos, e não há nenhum declínio uniforme nas crenças de eficácia pessoal na idade avançada. As pessoas com as quais as pessoas idosas se comparam contribuem muito para a variabilidade na autoeficácia percebida. Aqueles que medem suas capacidades comparando-as com pessoas da sua idade são menos prováveis a se verem como tendo declínio nas capacidades do que se um grupo mais jovem é usado na autoavaliação comparativa. A ineficácia cognitiva percebida é acompanhada de desempenhos intelectuais reduzidos. Um senso de diminuição de autoeficácia, que frequentemente podem provir mais do desuso e das expectativas culturais negativas do que do envelhecimento biológico, pode, portanto, colocar em movimento processos autocontínuos que resultam em funcionamento cognitivo e comportamental declinante. As pessoas que ficam sitiadas com incertezas sobre sua eficácia pessoal não somente reduzem a amplitude de suas atividades, mas também minam seus esforços naquelas atividades que empreendem. O resultado é uma perda progressiva de interesse e de habilidade.

As mudanças principais da vida em uns anos mais tardios são causadas pela aposentadoria, pela realocação, e pela perda de amigos ou de esposos. Tais mudanças exigem habilidades interpersonais para cultivar novos relacionamentos sociais que podem contribuir ao funcionamento positivo e ao bem estar pessoal. A ineficácia social percebida aumenta a vulnerabilidade da pessoa mais idosa ao estresse e à depressão, tanto direta quanto indiretamente, ao impedir o desenvolvimento de suportes sociais que serviriam como um amortecedor de impacto contra os fatores estressantes da vida.

Os papéis nos quais os adultos mais velhos são elencados impõem restrições socioculturais no cultivo e na manutenção da autoeficácia percebida. À medida que as pessoas se transportam a fases de maior idade, a maioria delas sofre perdas de recursos, de papéis produtivos, de acesso às oportunidades e de atividades desafiantes. Os ambientes monótonos que exigem pouco pensamento ou julgamento independente diminuem a qualidade do funcionamento, os desafios intecletuais realçam-na. Alguns dos declínios no funcionamento com a idade resultam da desapropriação sociocultural da sustentação ambiental para ela. Exige-se um forte senso de eficácia pessoal para remodelar a vida e mantê-la produtiva nas culturas que moldam suas pessoas idosas para papéis impotentes desprovidos da finalidade. Nas sociedades que enfatizam o potencial para o autodesenvolvimento ao longo de todo o tempo de vida, ao invés de declínio psicofísico com o envelhecimento, as pessoas idosas tendem a conduzir vidas produtivas e propositadas.


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