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Este artigo traduzido faz parte dos meus estudos de doutorado. Ele fornece um referencial teórico importante para estudantes e professores...

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Toxicidade do arsênio

A OSX diz que suas atividades de dragagem do canal não vão aumentar a quantidade de arsênio para níveis tóxicos.
Mesmo que isso possa ser a mais pura e cristalina verdade (o que convenhamos, é uma presunção razoavelmente questionável), vamos conhecer mais sobre o arsênio lendo um pouco sobre ele?

Abaixo, algumas informações sobre o arsênio extraídas da base de dados Micromedex, de propriedade da respeitada empresa de informações Thomson Reuters. Não posso postar a monografia inteira para não ferir o copyright da Thomson Reuters, por isso selecionei apenas os trechos que resumem seus efeitos tóxicos. Sim, as informações abaixo são apenas um RESUMO dos seus efeitos tóxicos, pra quem achou o post longo demais. As mesmas informações são cedidas de forma gratuita para o portal Wiser, do governo estadunidense, o qual você mesmo pode consultar e conferir clicando aqui.

O arsênio é um elemento cinza-prata ou estanho branco, brilhante, quebradiço, cristalino e de aparência metálica. Pode existir em três formas alotrópicas: alfa (amarelo), preto (beta) e cinza (gama). O arsênio é raramente encontrado em sua forma elementar isolado. Mais comumente, está presente m ligas, ou como uma forma de óxido ou outro composto. A forma amorfa metalóide (arsênio-alfa), vai escurecendo em preto (beta-arsênio) e forma trióxido de arsênio (As203) em ar úmido. Quando o vapor de arsênio é esfriado de repente, um tipo de amarelo de arsênio, que não tem propriedades metálicas, é formada.

Compostos arseniacais são absorvidos, principalmente através do trato gastrointestinal, mas podem ser absorvidos através da pele intacta ou após a inalação (...) A ingestão aguda de arsênio geralmente produz sinais e sintomas em 30 minutos, mas isso pode ser adiado no início de várias horas, se o arsênio é ingerido com alimentos.

1) Os efeitos imediatos (agudos):
a) efeitos sistêmicos - sinais e sintomas iniciais da ingestão de arsênio incluem lábios ardentes, constrição na garganta e disfagia, seguido por excruciante dor abdominal, gastrite hemorrágica, gastroenterite, náuseas, vômitos em jato, diarréia profusa como "água de arroz", com hipovolemia que pode resultar em hipotensão e pulso irregular. Além disso, hipovolemia de vazamento capilar ("formação de terceiro espaço de fluidos") é um efeito inicial comum e grave. Cãibras musculares, edema facial, bronquite, dispnéia, dor torácica, desidratação, sede intensa, e os distúrbios de fluidos e eletrólitos também são comuns as seguintes exposições significativas. Um odor de alho como da respiração e fezes também podem ocorrer.
b) efeitos irritantes - muitos compostos de arsênio são sérios irritantes da pele, olhos e mucosas, especialmente de superfícies úmidas, e alguns podem ser corrosivos. Contato produz vermelhidão local, seguido por erupções vesiculares ou pustulares. Compostos trivalentes são particularmente cáusticos. Exposição por inalação aguda resultaram na irritação do trato respiratório superior.

2) Os efeitos tardios:
a) Após a absorção, o arsênio pode causar falência de múltiplos órgãos, inibindo enzimas intracelulares contendo o grupamento sulfidrila.
b) A encefalopatia, com dor de cabeça, letargia, confusão mental, alucinações, labilidade emocional, perda de memória. Pode ocorrer delirium, convulsões, torpor, convulsões, coma e morte podem ocorrer dentro de 24 horas após a exposição aguda a níveis mais elevados.
c) Arritmias cardíacas (particularmente prolongamento do intervalo QTc e torsade de pointes) e cardiomiopatia, evoluindo para SARA, hepatite, rabdomiólise, hemólise e insuficiência renal. Pode desenvolver-se durante vários dias.
d) Polineuropatia periférica, supressão da medula óssea, erupções cutâneas, depressão da hematopoiese, alopecia, e as linhas de Mees 'podem se desenvolver de dias ou semanas após a exposição aguda.
e) Anemia, leucopenia e trombocitopenia estão entre as alterações hematológicas decorrentes da exposição.

Os efeitos a longo prazo pode levar a colapso sistêmico, com hipotensão grave, agitação, convulsões e coma.

A intoxicação crônica é a causa mais comum de intoxicação ocupacional e ambiental e é aqui que todos devem prestar mais atenção, pois ocorre com a exposição lenta e continuada a níveis bem mais baixos que aqueles responsáveis por intoxicações agudas. Por ter início lento e insidioso, pode ser mais difícil de diagnosticar e tratar. Provar a ocorrência de intoxicação e que esta ocorreu devido a uma determinada atividade, torna-se uma tarefa bem difícil pela legislação atual.

1) A seqüência de intoxicação crônica envolve fraqueza, anorexia, hepatomegalia, icterícia e queixas gastrointestinais, seguidos por conjuntivites, irritação da garganta e trato respiratório, hiperpigmentação e dermatites alérgica e eczematóide.
2) Outros efeitos da exposição crônica incluem irritação dos olhos e conjuntivite, com lacrimejamento e manchas pigmentadas no epitélio corneano e conjuntival; alterações nas unhas, cabelos e pele, com hiperqueratose dos pés e das mãos, e melanose.
3) Lesões de pele são um efeito comum, começando como dermatite eritematosa, pruriginosa, seguido de hiperpigmentação finamente sardento com máculas hiperpigmentadas. Melanose também ocorre. As lesões de pele podem ser por vezes pustulares, ulcerosas, e gangrenosas.
4) A voz rouca e doença respiratória crônica são característicos de trabalhadores superexpostos à arsênio. A perfuração do septo nasal é um resultado comum com inalação prolongada de poeira ou fumos de arsênio.
5) Os sintomas do sistema nervoso periférico podem incluir dormência, queimação e formigamento das mãos e dos pés, dor, parestesias, fasciculações musculares, tremores grosseiros, ataxia, incoordenação motora e confusão mental. Fraqueza muscular, sensibilidade dos membros e dificuldade para caminhar podem ocorrer em seguida. A fase final é composta de neuropatia periférica sensorial das mãos e dos pés. Isso pode ser associado com uma neuropatia motora também.
6) Determinados compostos de arsénio são conhecidos cancerígenos humanos. A exposição crônica em qualquer ambiente ocupacional ou pela ingestão de águas subterrâneas contaminados pode causar intoxicação e carrega um risco aumentado de ocorrência dos cânceres de pele, pulmão, bexiga e, possivelmente, câncer de fígado também.

Se você quer ver um post deste blog com imagens que ilustram os diversos danos do arsênio sobre a pele, clique aqui. Mas tenha cuidado se você for sensível pois as imagens são fortes.

Estudo há alguns anos a dificuldade que é o processo de estabelecimento de nexo causal entre a exposição ocupacional e ambiental a agentes químicos tóxicos e efeitos clínicos subsequentes. Quem quiser ler mais sobre as dificuldades para provar uma intoxicação crônica, sugiro lerem um texto deste blog clicando aqui. Quem quiser saber saber sobre como a sociedade lida com os riscos representados pela exposição a agentes tóxicos, sugiro lerem outro texto do blog, clicando aqui.
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