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Autoeficácia nas palavras do próprio Albert Bandura

Este artigo traduzido faz parte dos meus estudos de doutorado. Ele fornece um referencial teórico importante para estudantes e professores...

domingo, 21 de março de 2010

A melatonina via oral pode causar algum efeito colateral ? ou intoxicação? Por que a ANVISA proíbe sua distribuição?

Também questiono essa proibção da ANVISA, afinal a melatonina (ou N-acetil-5metoxitriptamina)é vendida sem receita em vários países (como bem comentaram no meu formspring), dada sua baixa toxicidade. No portal Visalegis, que contém a legislação sobre Vigilância em Saúde, a única menção à melatonina é a Resolução RE nº 305, de 14 de fevereiro de 2003, que não explica nada, apenas que o registro de medicamentos contendo melatonina é contra a legislação vigentes. E só. Nenhuma explicação. Parece que essa proibição se deu em 1995, devido ao uso que se fazia da melatonina como panacéia anti-envelhecimento. A base teórica para o uso da melatonina para esse fim é seu potente efeito antioxidante e imunomodulatório.

Do ponto de vista prático, a melatonina tem um efeito bem melhor que os benzodiazepínicos, ressincronizando o ciclo circadiano e gerando um sono mais "natural", sem risco de dependência química ou depressão respiratória (o que torna os benzodiazepínicos contraindicados para certas enfermidades psiquiátricas e para a apnéia do sono). O efeito colateral mais comum é a sonolência excessiva. Apesar da necessidade de estudos adicionais, há um temor de que o uso crônico da melatonina possa estar associado ao desenvolvimento parkinsonismo e hiperprolactinemia, o que poderia levar à galactorréia e à ginecomastia. Apesar disso, não vejo problemas no uso eventual e em doses preconizadas (máximo 5mg/dia, o ideal é até 1mg/dia).

Indico melatonina sem medo para pacientes que viajam ao exterior e que querem evitar o "jet lag". Na superdosagem o único efeito colateral que tenho observado é a insônia, pois um dos efeitos da melatonina é aumentar os níveis de noradrenalina no córtex frontal/pré-frontal. Ou seja: uma opção de medicamento que poderia ser muito útil, infelizmente desperdiçada.
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