Postagem em destaque

Autoeficácia nas palavras do próprio Albert Bandura

Este artigo traduzido faz parte dos meus estudos de doutorado. Ele fornece um referencial teórico importante para estudantes e professores...

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

The broken-wing angel

This is the release for my mom's first book, "The Broken-Wing Angel".

The exciting story of an angel, Pepim, in the upcoming book "The Broken-Wing Angel", is a great message of resilience and hope. The book was written by Maria Beatriz Kumm Collares, a 55-years old Brazilian artist who decided it was time to indulge herself into literary endeavours. The book will be released at 20 pm this Friday, December 17, at the Municipal Arts Gallery located in the Cultural Foundation of Itajai, Santa Catarina.

The book tells the story of Pepim, an angel with a broken wing who, unable to fly, lived happily in the sky in the company of other angels, until the day he decided to demand his right to be born on earth, even warned that, when in land, he would not be able to move. Embodied in the form of a child with special needs, Pepim decided to live in a city by the sea, Itajaí, where he befriended a seagull named "Mrs. Queen." On the wings of Mrs. Queen, Pepim travels to discover the world, its beauties and its evils, in an adventure full of emotions and revelations.

This was the universe created by the author as a way to entertain her daughter Roberta, 28, who suffers from cerebral palsy and epilepsy. Her experience as a parent-caregiver, led Maria Beatriz Kumm Collares to create a magical and enchanted world where her daughter could have contact with outstanding personalities from Itajaí, such as the character who cared for injured birds that appeared at Fazenda1s Bay mangrove.

More than a beautiful message of resilience and hope, the children's book "The Angel of Broken Wing," is a work that seeks to inspire other mothers and caregivers, helping them see the world from another perspective.

O anjo da asa quebrada

Este é o release do lançamento do livro da minha mãe, "O anjo da asa quebrada":

A emocionante história do anjo Pepim, em “O Anjo da Asa Quebrada”, é uma grande mensagem de superação e esperança. O livro foi escrito pela itajaiense Maria Beatriz Kumm Collares e será lançado às 20 horas desta sexta-feira, dia 17, na Galeria Municipal de Artes da Fundação Cultural de Itajaí.

O livro conta a história de Pepim, um anjo de asa quebrada que, impossibilitado de voar, vivia feliz no céu em companhia de outros anjos, até o dia em que decidiu exigir seu direito de nascer na terra, mesmo alertado de que, também na terra, não poderia movimentar-se. Encarnado em forma de criança com necessidades especiais, Pepim decidiu morar uma cidade à beira-mar (Itajaí) onde fez amizade com a gaivota “Dona Rainha”. Nas asas de D. Rainha, Pepim viaja para descobrir o mundo, suas belezas e suas mazelas, numa aventura cheia de revelações e emoções.

Esse foi o universo criado pela autora como forma de entreter sua filha que nasceu tetraplégica, Roberta (28 anos). A experiência como mãe-cuidadora, levou Beatriz Collares a criar um mundo encantado e mágico, onde a filha passou a ter contato com personalidades marcantes do dia-a-dia da comunidade itajaiense, a exemplo do personagem que cuidava dos pássaros machucados que apareciam no mangue no Saco da Fazenda.

Mais do que uma bela mensagem de superação e esperança, o livro infanto-juvenil “O Anjo da Asa Quebrada”, é uma obra que busca inspirar outras mães-cuidadoras, ajudando-as a enxergar o mundo sob outra perspectiva.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

ginecomastia pode ser efeito colateral do remedio fenobarbital sim ou nao

Há relatos de caso apontando ginecomastia em indivíduos tratados com fenobarbital. Contudo, para que uma relação de causalidade entre fenobarbital e ginecomastica possa ser estabelecido e reconhecido cientificamente, infelizmente mais estudos são necessários.

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Qual é o mecanismo dos estimulantes do SNC como a cocaina e as anfetaminas que fazem a mandibula "travar" e proporcionam aquela "Facies" do usuário?

Não há aumento apenas de adrenalina e noradrenalina no sistema nervoso, que, por si só, aumentam a atividade motora geral. Hiperatividade de dopamina leva tanto à gratificação, associada à hiperatividade no nucleus accumbens, e á alterações do movimento, por meio da via nigroestriatal, ao influenciar os gânglios da base. A serotonina também está aumentada e, em excesso, pode levar a hiperreflexia e hipertermia. Atividade aumentada de glutamato também aumenta a excitabilidade neuronal, com aumento do influxo de cálcio - isto está associado à plasticidade neuronal, mas em exagero, leva à morte neuronal.

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O uso de Orlistat em adolescentes (15 anos) obesos, sedentários e diabéticos com risco cardiovascular na família é aconselhável? Porque não?

Orlistat é certeza de perda de fezes involuntária durante a flatulência. São possíveis a deficiência de vit. K levando a hemorragias, e, em menor grau, as deficiências das outras vitaminas lipossolúveis, A, D e E.

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Loira ou morena?

O que importa é o recheio.

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peito ou bunda?

Cérebro.

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silicone ou natural?

Natural

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algum fetiche?

Hotéis.

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aluna ou professora?

Professora.

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interna ou residente?

Neither.

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hey nigger, estou fazendo um trabalho de cirurgia. estava usando o sabiston: tratado de cirurgia, que vem com um cd-rom. estava usando as imagens e acho que achei um erro grotesco. nao dá pra colar aqui. posso te mandar por e-mail??? bjo, Felipe.

Grotesco é um bom adjetivo. Medonho, hediondo caem bem para erros em livros-texto.

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collaresss oh ohhhh collares oh oh ohhhhhhh!!! entaoo sou seu aluno da quarta etapa Caio e estou com uma duvida sobre a medida que eu tenho que tomar em certos tipos de intoxicacao. Eu estava lendo um artigo da facul de medicina de ribeirao preto que diz

A pergunta ficou pela metade. Aguardo a continuação.

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O que você acha do uso de Sibutramina?

Penso que os benefícios não compensam os riscos.

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domingo, 14 de novembro de 2010

Nunca subestime seu paciente!

Esses dias retuitei um post do Kevin Pho, talvez o médico tuiteiro mais proeminente do mundo.

O post:

Get a straight answer from your doctor http://goo.gl/fb/xPzDx
A frase-chave:

"The answer is really very simple: Don’t accept a non-answer answer from a doctor on a question that really matters to you!"

O comentário de um follower amigo que peço encarecidamente a meus estudantes e colegas médicos que leiam:

"Foi o que sempre fiz. No Brasil, cheguei a mudar de médico porque um me respondeu coisas como "isso é muito complexo, você não entenderia". Ahã. O novo médico me explicava direitinho, e eu entendia (ter feito biologia e ser um cara autodidata ajudaram). Ele nunca me disse "é isso, você tem de fazer porque tô mandando". Era sempre "a situação é essa, meu diagnóstico é esse, e o melhor curso a tomar é esse, por esse e esse motivo. Aí, né, aí sim. E eu eu perguntava as coisas (de novo: ajuda que eu tenho noção de bioquímica e anatomia. Mas e daí? Esse era o ponto, justamente: se eu tô pedindo explicações sobre minha saúde, eu quero recebê-las, e não acho que seja favor do médico fornecê-las.)"

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

A diferença entre brigar e lutar

"Não só corriqueiramente, mas também com base nos conceitos dados pelo Novo Dicionário da Língua Portuguesa (2ª edição, Editora Nova Fronteira, 1.986, RJ), os verbos “lutar” e “brigar” possuem o mesmo significado, podendo aplicá-los, indistintamente, como sinônimos de combater, disputar, contender, tendo por objetivo expressar a oposição entre dois indivíduos ou a busca de um objetivo por parte de um ser. Ocorre que, muito embora sinônimos, ao empregá-los, costumamos fazer uma pequena distinção entre os mesmos, distinção esta que altera totalmente o sentido da frase onde são aplicados. Estes significados estamos diretamente ligados ao sentido que eles próprios transmitem, à forma como encaramos o significado destas palavras e de como recebemos as informações contidas nas frases onde eles aparecem. Isso ocorre porque o verbo “brigar” normalmente é usado para expressar a disputa física ou psicológica as quais ocorrem sem regras, imperando o desrespeito à pessoa oponente ou ao objeto almeja através dessa atitude. Quem dessa forma age, procura algo sem se importar com as conseqüências de seus atos e não dá valor aos possíveis efeitos de um briga sem o respeito. Já o verbo “lutar” apresenta uma característica distinta, pois no caso da luta implícito está o sentimento de regra, onde a disputa baseia-se no respeito entre as pessoas, bem como com o objetivo desejado. E isso é facilmente notado, pois o verbo “lutar” é constantemente empregado na busca por objetivos, já o verbo “brigar” acaba por ser empregado no sentido de guerrear, disputar física ou psicologicamente sem regras, podendo causar, ferimentos seja fisicamente, seja sentimentalmente. Diante disso, muito embora esses verbos possuam o mesmo significado, sendo sinônimos, o emprego deles demonstra essa pequena distinção. Mas o mais importante desta distinção não é circunscrever ao fato destes verbos apresentarem estas características, mas sim à forma de como estamos agindo em nossas vidas, se somos brigadores, que não respeitam os indivíduos ao nosso derredor, a natureza, a até mesmos nós mesmos, ou se somos lutadores, capazes de reconhecer as limitações e virtudes de nossos semelhantes, bem como respeitar e compreender toda a obra divina e por fim a nós mesmos. Agindo como briguento, mais que ofender ao mundo externo, nossos semelhantes, estamos, de fato, ofendendo a nós mesmos, maculando a centelha divina que nos identifica com o Criador; mas sendo lutadores, estaremos buscando alcançar objetivos pautados em princípios absolutos e sólidos, honrando aquela centelha divina e continuando o caminho da evolução. E dessa forma cabe uma pergunta: o que somos? Brigadores ou lutadores?"


Este texto não é meu, mas quando o li, ainda na minha adolescência, foi algo tão marcante, indelével até, que resolvi postar aqui para vocês. Se alguém conhecer a autoria deste texto, gentileza informar para que eu possa dar o devido crédito.

domingo, 26 de setembro de 2010

Como é perder um paciente?

Felizmente tive poucos pacientes que evoluíram para o óbito. Todavia, todo médico irá perder pacientes ao longo de sua vida profissional. O impacto emocional para mim existe e é sempre ruim, especialmente quando você acredita na recuperação do paciente que falece. Infelizmente, a força da enfermidade pode ser superior às medidas terapêuticas disponíveis. O que me faz seguir no ofício, apesar das eventuais e inevitáveis perdas, é saber que muitas vidas eu salvei ou mudei para melhor.

Estudar sempre e praticar a Medicina com muito amor é chave para fazer a diferença para o bem, não apenas para as pessoas que atedemos, mas para as pessoas que trabalham conosco.

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se me permite, uma duvida caro colega. sobre o mecanismo de açao dos protetores solar, afinal, como funcionam?? de que forma protegem a pele??

Os filtros solares contém moléculas que tem a propriedade química de dificultar a passagem dos raios UV, absorvendo e/ou refletindo as ondas.

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qual livro vc me indica pra estudar as reações adversas aos medicamentos?

Boa pergunta. Seria melhor ainda se fosse no plural, pois raramente um livro apenas dá conta de tudo. Prefiro os livros de Toxicologia mesmo, como o Goldfrank's Toxicologic Emergencies. Atualmente uma boa fonte é o site http://www.drugs.com . Há também o Micromedex, um ótimo free app p/ iPhone, mas você tem que fazer com que sua conta do iTunes seja dos EUA para conseguir instalá-lo. Livro específico tem este aqui, que é meio antigo, mas é bem legal: http://www.amazon.com/Adverse-Drug-Reactions-Practical-Management/dp/0471942111/ref=sr_1_6?s=gateway&ie=UTF8&qid=1285546015&sr=8-6

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Abandonou o form? Fiz uma pergunta tão boa.

Sem tempo pro forms, nem pra twitter, nem pro blog, amigo! O doutorado simultâneo a dois empregos não é fácil...

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Professor, precisa fazer portfólio da prova prática do dia 17/09??

Claro. Todos os dias de atividade exigem anotações resumidas do conteúdo abordado no portfólio e uma reflexão. Lembre-se que é manuscrito.

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sexta-feira, 20 de agosto de 2010

existe alguma subst. capaz de aumentar a velocidade de clearance de certas substancias toxicas que estao presente no sangue? by:caio

Tem sim. Um exemplo bom disso é o bicarbonato de sódio que evita a reabsorção tubular do fenobarbital, aumentando sua excreção urinária. Como o fenobarbital é um ácido fraco e a urina é um meio ácido, normalmente o fenobarbital será reabsorvido, por estar na sua forma mais conjugada, covalente, lipossolúvel. Alcalinizando a urina o fenobarbital ficará mais em sua forma dissociada, ionizada, hidrossolúvel - por isso mais facilmente excretável e menos reabsorvível.

O mesmo procedimento de alcalinização poderá aumentar a distribuição de fármacos alcalinos, como antidepressivos tricíclicos, que exercem sua cardiotoxicidade ao bloquear os canais de sódio no sistema de condução elétrica no coração. Ao utilizarmos o bicarbonato, há um shift (passagem) do tricíclico para o meio intracelular, o que propicia sua "saída" dos canais de sódio, e a redução de sua cardiotoxicidade, já que o sítio de ação tóxica é extracelular.

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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Carvão ativado na corrente sanguinea PODE? VVVV LOL

Claro que não... Obviamente...

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Em uma situação de emergencia pode-se usar carvão para churrasco ou carvão de filtros de água?

Não. Nem aquele em cápsulas funciona... Tem que ser o carvão ativado apropriado...

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Conhece ou já conheceu médicos viciados em drogas ilícitas que exercem a profissão?

Não, mas meu pai já conheceu um cirurgião dependente de cocaína para operar. Ficamos todos horrorizados. E já atendi médicos(as) suicidas (tomaram medicamentos): uma psiquiatra e outros cirurgião. Menciono esses casos porque, no fundo, o uso de drogas não deixa de ser uma forma de suicídio.

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quinta-feira, 29 de julho de 2010

Determining causation in clinical neurotoxicology: a critical analysis

Considerando todo o frisson sobre o arsênio causado pelo estaleiro que Eike Batista quer instalar em Biguaçu, resolvi postar esta palestra que ministrei em três ocasiões:
- nos Estados Unidos (2008): no 25th International Neurotoxicology Conference, em Rochester, NY; e posteriormente no New York City Poison Control Center.
- no Brasil (2009): no Congresso Brasileiro de Toxicologia, em Belo Horizonte.

Em novembro de 2010, irei à Israel ministrá-la novamente no evento promovido pelo American College of Medical Toxicology, juntamente com a Sociedade Israelense de Toxicologia.

O PowerPoint está abaixo (liberado para download já que a conversão do Scribd ficou ruim) e o vídeo com a apresentação de Rochester você pode assistir clicando aqui. (assista com o volume no máximo, o áudio não está bom).

Saiba mais sobre o arsênio clicando aqui e aqui.


Determining Causation in Clinical Neurotoxicology_a Critical Analysis

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Agrotóxicos e Transgênicos: coincidência sinistra

O Prof. de Economia da UFPR Victor Pelaez realizou sob encomenda da ANVISA o estudo "Monitoramento do Mercado de Agrotóxicos", que mostra o crescimento e a concentração da indústria de agrotóxicos.

Eu mesmo cheguei a tentar fazer algo nesse sentido, quando percebi que a Monsanto estava comprando muitas empresas e que a criação da Syngenta era outra megaconcentração de capital. Mas desisti no meio do caminho, pela elevada complexidade da tarefa e por ter encontrado interfaces interessantes com a indústria farmacêutica.

Notem que uma boa parte da indústria de agrotóxicos também atua na área de sementes transgênicas.

Podem falar o que quiserem, mas pra mim essa coincidência é muito sinistra. MEDO.

Parabéns ao pessoal da ANVISA e ao Prof. Victor Pelaez pelo trabalho bem feito.

O link para o estudo está abaixo:
http://bit.ly/aMM0sE

Amplexos,

CFC

Efeitos do arsênio sobre a pele (CUIDADO: imagens fortes)

Pra deixar bem ilustrado alguns dos efeitos do arsênio, algumas fotos de pessoas doentes devido à ingestão de água contaminada por arsênio em diversas partes do mundo (Índia, Mongólia, etc). Como as imagens são fortes, sugiro parar por aqui se você for uma pessoa sensível.

Tomara que nunca aconteçam aqui.

A empresa parece estar fazendo de tudo para minimizar os riscos, é verdade.

Eu mesmo penso que os níveis de arsênio que a água da Baía Norte teria por conta do estaleiro não seriam capazes de provocar danos da magnitude das fotos abaixo.

Mas eu questiono: vale a pena o risco, mesmo que seja pequeno? Mesmo que a empresa declare que fará tudo para minimizá-lo?

Opinião pessoal: os possíveis riscos oriundos do estaleiro que a OSX quer fazer em Biguaçu (SC) não compensam quaisquer eventuais benefícios.

Vejam:


Hiperceratose e hiperpigmentação por arsênio.



Hiperceratose por arsênio.



Hiperpigmentação por arsênio.



Carcinoma de células escamosas no tórax, braço e mão.



Carcinoma de Bowens em mão.



Ulcerações de pele provocadas pelo arsênio.

Toxicidade do arsênio

A OSX diz que suas atividades de dragagem do canal não vão aumentar a quantidade de arsênio para níveis tóxicos.
Mesmo que isso possa ser a mais pura e cristalina verdade (o que convenhamos, é uma presunção razoavelmente questionável), vamos conhecer mais sobre o arsênio lendo um pouco sobre ele?

Abaixo, algumas informações sobre o arsênio extraídas da base de dados Micromedex, de propriedade da respeitada empresa de informações Thomson Reuters. Não posso postar a monografia inteira para não ferir o copyright da Thomson Reuters, por isso selecionei apenas os trechos que resumem seus efeitos tóxicos. Sim, as informações abaixo são apenas um RESUMO dos seus efeitos tóxicos, pra quem achou o post longo demais. As mesmas informações são cedidas de forma gratuita para o portal Wiser, do governo estadunidense, o qual você mesmo pode consultar e conferir clicando aqui.

O arsênio é um elemento cinza-prata ou estanho branco, brilhante, quebradiço, cristalino e de aparência metálica. Pode existir em três formas alotrópicas: alfa (amarelo), preto (beta) e cinza (gama). O arsênio é raramente encontrado em sua forma elementar isolado. Mais comumente, está presente m ligas, ou como uma forma de óxido ou outro composto. A forma amorfa metalóide (arsênio-alfa), vai escurecendo em preto (beta-arsênio) e forma trióxido de arsênio (As203) em ar úmido. Quando o vapor de arsênio é esfriado de repente, um tipo de amarelo de arsênio, que não tem propriedades metálicas, é formada.

Compostos arseniacais são absorvidos, principalmente através do trato gastrointestinal, mas podem ser absorvidos através da pele intacta ou após a inalação (...) A ingestão aguda de arsênio geralmente produz sinais e sintomas em 30 minutos, mas isso pode ser adiado no início de várias horas, se o arsênio é ingerido com alimentos.

1) Os efeitos imediatos (agudos):
a) efeitos sistêmicos - sinais e sintomas iniciais da ingestão de arsênio incluem lábios ardentes, constrição na garganta e disfagia, seguido por excruciante dor abdominal, gastrite hemorrágica, gastroenterite, náuseas, vômitos em jato, diarréia profusa como "água de arroz", com hipovolemia que pode resultar em hipotensão e pulso irregular. Além disso, hipovolemia de vazamento capilar ("formação de terceiro espaço de fluidos") é um efeito inicial comum e grave. Cãibras musculares, edema facial, bronquite, dispnéia, dor torácica, desidratação, sede intensa, e os distúrbios de fluidos e eletrólitos também são comuns as seguintes exposições significativas. Um odor de alho como da respiração e fezes também podem ocorrer.
b) efeitos irritantes - muitos compostos de arsênio são sérios irritantes da pele, olhos e mucosas, especialmente de superfícies úmidas, e alguns podem ser corrosivos. Contato produz vermelhidão local, seguido por erupções vesiculares ou pustulares. Compostos trivalentes são particularmente cáusticos. Exposição por inalação aguda resultaram na irritação do trato respiratório superior.

2) Os efeitos tardios:
a) Após a absorção, o arsênio pode causar falência de múltiplos órgãos, inibindo enzimas intracelulares contendo o grupamento sulfidrila.
b) A encefalopatia, com dor de cabeça, letargia, confusão mental, alucinações, labilidade emocional, perda de memória. Pode ocorrer delirium, convulsões, torpor, convulsões, coma e morte podem ocorrer dentro de 24 horas após a exposição aguda a níveis mais elevados.
c) Arritmias cardíacas (particularmente prolongamento do intervalo QTc e torsade de pointes) e cardiomiopatia, evoluindo para SARA, hepatite, rabdomiólise, hemólise e insuficiência renal. Pode desenvolver-se durante vários dias.
d) Polineuropatia periférica, supressão da medula óssea, erupções cutâneas, depressão da hematopoiese, alopecia, e as linhas de Mees 'podem se desenvolver de dias ou semanas após a exposição aguda.
e) Anemia, leucopenia e trombocitopenia estão entre as alterações hematológicas decorrentes da exposição.

Os efeitos a longo prazo pode levar a colapso sistêmico, com hipotensão grave, agitação, convulsões e coma.

A intoxicação crônica é a causa mais comum de intoxicação ocupacional e ambiental e é aqui que todos devem prestar mais atenção, pois ocorre com a exposição lenta e continuada a níveis bem mais baixos que aqueles responsáveis por intoxicações agudas. Por ter início lento e insidioso, pode ser mais difícil de diagnosticar e tratar. Provar a ocorrência de intoxicação e que esta ocorreu devido a uma determinada atividade, torna-se uma tarefa bem difícil pela legislação atual.

1) A seqüência de intoxicação crônica envolve fraqueza, anorexia, hepatomegalia, icterícia e queixas gastrointestinais, seguidos por conjuntivites, irritação da garganta e trato respiratório, hiperpigmentação e dermatites alérgica e eczematóide.
2) Outros efeitos da exposição crônica incluem irritação dos olhos e conjuntivite, com lacrimejamento e manchas pigmentadas no epitélio corneano e conjuntival; alterações nas unhas, cabelos e pele, com hiperqueratose dos pés e das mãos, e melanose.
3) Lesões de pele são um efeito comum, começando como dermatite eritematosa, pruriginosa, seguido de hiperpigmentação finamente sardento com máculas hiperpigmentadas. Melanose também ocorre. As lesões de pele podem ser por vezes pustulares, ulcerosas, e gangrenosas.
4) A voz rouca e doença respiratória crônica são característicos de trabalhadores superexpostos à arsênio. A perfuração do septo nasal é um resultado comum com inalação prolongada de poeira ou fumos de arsênio.
5) Os sintomas do sistema nervoso periférico podem incluir dormência, queimação e formigamento das mãos e dos pés, dor, parestesias, fasciculações musculares, tremores grosseiros, ataxia, incoordenação motora e confusão mental. Fraqueza muscular, sensibilidade dos membros e dificuldade para caminhar podem ocorrer em seguida. A fase final é composta de neuropatia periférica sensorial das mãos e dos pés. Isso pode ser associado com uma neuropatia motora também.
6) Determinados compostos de arsénio são conhecidos cancerígenos humanos. A exposição crônica em qualquer ambiente ocupacional ou pela ingestão de águas subterrâneas contaminados pode causar intoxicação e carrega um risco aumentado de ocorrência dos cânceres de pele, pulmão, bexiga e, possivelmente, câncer de fígado também.

Se você quer ver um post deste blog com imagens que ilustram os diversos danos do arsênio sobre a pele, clique aqui. Mas tenha cuidado se você for sensível pois as imagens são fortes.

Estudo há alguns anos a dificuldade que é o processo de estabelecimento de nexo causal entre a exposição ocupacional e ambiental a agentes químicos tóxicos e efeitos clínicos subsequentes. Quem quiser ler mais sobre as dificuldades para provar uma intoxicação crônica, sugiro lerem um texto deste blog clicando aqui. Quem quiser saber saber sobre como a sociedade lida com os riscos representados pela exposição a agentes tóxicos, sugiro lerem outro texto do blog, clicando aqui.

domingo, 18 de julho de 2010

Sustentabilidade do estaleiro OSX: tiro certo ou tiro no pé?

Há algum tempo escrevi sobre a percepção popular sobre as empresas que provocam algum impacto ambiental (no caso, era a indústria de agrotóxicos) e fazem um forte esquema de marketing que propala a suposta "responsabilidade socioambiental" e a "sustentabilidade" da empresa. É perfeitamente válida a analogia com as atividades da OSX, que quer montar um estaleiro em Biguaçú, em plena Baía Norte, onde também estão as cidades de Florianópolis e São José. Quando é só marketing - o que não parece ser o caso da OSX, que pelo menos apresentou diversas propostas de mitigação - também chamam essa prática de "greenwashing".
Minhas perguntas no texto que você pode ler clicando aqui são:

1) Até que ponto a população se deixa enganar por esse tipo de estratégia, especialmente quando não forem genuínas?
2) Até que ponto tais iniciativas de marketing não são um tiro no pé das empresas que as promovem?

Os pareceres mais críveis até o momento parecem classificar a sustentabilidade do empreendimento como implausível, seja pelo impacto contra os golfinhos, seja pelo impacto da dragagem, conta a qual pesa o possível aumento do arsênio circulante na água, pelo sedimento da baía que será mobilizado.

A OSX relativiza o impacto da dragagem sobre o aumento do arsênio - que seria de pequena monta e transitório.

Podem me chamar de ecochato e ecoxiita, mas sou contra - até pelo fato de eu ser de Itajaí, que tem estaleiro (já teve mais) - e eu sei que estaleiro é uma coisa que não é bem conhecida por sua beleza, digamos assim. Alguém verdadeiramente "do bem" pode achar que um estaleiro combina com a vocação turística de Floripa? Acho que não "orna", não.

Vamos ver se o Eike Batista se dá ao trabalho de me convencer.

Bom, assim que sobrar um tempitcho, vou colocar um texto sobre arsênio neste blog.
Abraços a todos,

CFC

sexta-feira, 4 de junho de 2010

ação anti inflamtória do gás cfc

Olha, os clorofluorcarbonos podem até ter ação antiinflamatória - o que nem fui atrás de saber se existe ou não. Afinal, duvido que alguém em sã consciência possa ter coragem de utilizar uma substância duplamente halogenada em seu organismo para qualquer fim que seja. Tem ibuprofeno pra quê?

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terça-feira, 20 de abril de 2010

Eu não estou entendendo sobre o mecanismo da Funchicorea para cólica de bebês. Me dá uma luz?

Funchicorea é um medicamento produzido no Brasil pelo laboratório Melpoejo. Trata-se de um fitoterápico realmente muito utilizado para cólicas em bebês. O laboratório informa que o produto contém extrato de chicórea, ruibarbo, essência de funcho e sacarina. Mas antes de explicar o mecanismo de ação, é necessário entender o que é a dor em cólica. De modo geral, a dor em cólica reflete um espasmo da musculatura lisa. Por isso, pode-se ter diversos tipos de cólicas: intestinais, uterinas, nefréticas (renais), etc. No caso dos bebês, as cólicas intestinais geralmente são resultantes da tentativa exaustiva de eliminar as fezes e gases. A eficácia dessas plantas contidas na Funchicorea ocorre devido à ação de seus princípios ativos com propriedades carminativas (previne a formação de gases) e catárticas (age como laxativo, purgante). No caso do funcho, o principal princípio ativo é o anetol. No ruibarbo, há predomínio de antraquinonas como a emodina e a reína. A chicória é rica em inulina, uma fibra alimentar solúvel.

Ou seja até aí, tudo bem... Ao meu ver, o problema desse medicamento é a sacarina... Honestamente, eu relutaria em dar sacarina para o meu bebezinho, se tivesse um. Afinal, hoje sabemos há toda uma controvérsia sobre sua toxicidade, particularmente sobre sua possível carcinogenicidade...

Ajudou? Abraço do Collares!

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domingo, 18 de abril de 2010

Análise psicométrica do teste de progresso individual (TPI) realizado pelo curso de Medicina da Universidade Cidade de São Paulo em 2009/2

O resumo abaixo é de um estudo que fizemos sobre as propriedades psicométricas do nosso TPI (teste de progresso individual). Espero que gostem.

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Análise psicométrica de um teste de progresso individual (TPI) realizado em um curso de Medicina na cidade de São Paulo.

Carlos Fernando Collares, Waldir L. Grec, Valdes R. Bollela, José Lúcio Martins Machado

INTRODUÇÃO: A alta qualidade na avaliação de competências em escolas médicas requer o uso integrado de diversos instrumentos. Além de propriedades psicométricas adequadas, os instrumentos de avaliação devem ser exeqüíveis e direcionados a partir dos objetivos pedagógicos, considerando o contexto e o ambiente de avaliação. O teste de progresso tem sido utilizado com sucesso tanto em escolas médicas tradicionais quanto naquelas que utilizam a aprendizagem baseada em problemas. É utilizado também em programas de pós-graduação e tem mostrado exeqüibilidade e boa relação custo-benefício. Os testes de progresso não são ligados a nenhum módulo e/ou disciplina do currículo e são aplicados para os alunos de todas as etapas do curso. Por serem abrangentes, considera-se que avaliem a aprendizagem mais significativa, ao invés do mero “estudo para a prova”. Todavia, questões de múltipla escolha supostamente tendem a avaliar níveis taxonômicos mais baixos, sendo criticadas quando avaliam apenas a memorização de fatos isolados. O curso de Medicina onde este estudo foi realizado realiza o TPI semestralmente, na forma de uma prova com 75 questões de múltipla escolha, com enunciados envolvendo situações clínicas, procurando-se observar as orientações do manual do National Board of Medical Examiners (NBME).

OBJETIVOS: estudar as propriedades psicométricas do TPI realizado em uma escola médica da cidade de São Paulo no segundo semestre de 2009.

MÉTODOS: As 75 questões do TPI foram avaliadas por meio de estatística descritiva e das medidas tradicionais da teoria clássica dos testes, como índices de dificuldade e de discriminação, além das correlações bisserial e ponto-bisserial. Calculou-se a correlação bisserial e ponto-bisserial de todas as alternativas, no intuito de identificar questões com percentual elevado respostas erradas entre alunos de elevado desempenho final no TPI. A análise fatorial exploratória foi realizada para assegurar a correção do valor do coeficiente do alfa de Cronbach, o qual é calculado para determinar a confiabilidade da prova, por meio de sua consistência interna. Para a realização das análises foram utilizados os softwares ITEMAN e SPSS.

RESULTADOS: Dos 600 estudantes regularmente matriculados, 385 (64,16%) realizaram o TPI. A média de acertos entre os estudantes de todas as etapas foi de 27,984 questões (37,31% da prova, o que resultou em um índice de dificuldade médio de 0,627), com um desvio padrão de 6,944. A assimetria da curva (“skewness”) foi de 0,395. A curva mostrou-se também platicúrtica (–0,088). As correlações bisserial e ponto-bisserial médias foram de 0,270 e 0,202, respectivamente. A análise fatorial revelou a unidimensionalidade do TPI, conforme observado no scree plot, com a solução unifatorial resultando em um autovalor (“eigenvalue”) aproximado de 4,9. O cálculo do alfa de Cronbach resultou em um coeficiente de 0,707. Apesar disso, 18 questões (24%) mostraram alternativas erradas com correlações ponto-bisseriais significativamente superiores à alternativa correta.

CONCLUSÕES: O valor do alfa de Cronbach demonstra que o TPI apresentou ótima confiabilidade. A assimetria indica que houve leve desvio para a esquerda em relação ao desempenho, o que pode estar relacionado ao elevado percentual de ausentes em algumas etapas mais avançadas. Por outro lado, a curtose discretamente negativa indica pouco desvio da distribuição normal. O achado de alternativas erradas com correlações ponto-bisseriais significativamente superiores à alternativa correta, juntamente com a determinação dos índices de dificuldade, não apenas identificou questões que permitiam interpretações dúbias; mas também sinalizou quais áreas do currículo poderiam necessitar de ajustes no processo de ensino-aprendizagem. A realização de estudos sobre as propriedades psicométricas de instrumentos de avaliação, como o TPI, é uma ferramenta de apoio à garantia da qualidade na educação médica, fornecendo informações que auxiliam não apenas no aprimoramento dos programas de avaliação, mas também na integração curricular e no desenvolvimento docente.


sexta-feira, 16 de abril de 2010

o THC interfere no efeito da olanzapina ou do litio?

Sim, interfere negativamente, pois os canabinoides sabidamente provocam piora dos transtornos neuróticos e psicóticos pré-existentes. Podem também deflagrar manifestações psiquiátricas em pessoas previamente saudáveis. Em suma: não se iluda achando que o THC é uma opção de auto-medicação pra ansiedade, bipolaridade ou outro transtorno psiquiátrico. Concentre-se no esporte e nos estudos. Estimo recuperação rápida e retorno breve.

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sábado, 3 de abril de 2010

Análise do exame do CREMESP 2009 conforme o Manual do National Board of Medical Examiners (NBME)

Há alguns meses eu já havia postado minhas críticas ao Exame do CREMESP.
Pois bem, agora elas tomaram a forma de trabalho científico, cujo resumo e referências bibliográficas podem ser lidos abaixo. Espero que gostem. Aguardo as críticas e sugestões.

Análise do exame do CREMESP 2009 segundo critérios do National Board of Medical Examiners (NBME)

Carlos Fernando Collares, Valdes Roberto Bollela, João Carlos S. Bizário, Waldir Grec, José Lúcio Martins Machado

Curso de Medicina da Universidade Cidade de São Paulo.

INTRODUÇÃO: Desde 2005 o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP) realiza anualmente o Exame de Avaliação dos acadêmicos egressos de escolas médicas. Assim o Conselho acredita estar identificando deficiências na formação do médico do Estado de São Paulo e contribuindo efetivamente para a melhoria da qualidade do ensino médico no país. Desde sua implementação existe um caloroso debate sobre a utilização de exames deste tipo para concessão de registros profissionais aos médicos. Em exames decisivos (“high-stakes examinations”) é fundamental que os testes sejam psicometricamente válidos, confiáveis e tenham alto poder discriminativo. Do ponto de vista taxonômico, as avaliações discentes devem ainda mensurar níveis cognitivos elevados, como a capacidade de resolução de problemas em casos clínicos, ao invés da mera memorização de informações.

OBJETIVOS: Avaliar as questões do exame do CREMESP, conforme as orientações do manual de construção de questões do National Board of Medical Examiners (NBME), entidade responsável por exames similares nos Estados Unidos da América há várias décadas.

METODOLOGIA: As 120 questões da primeira fase do Exame de 2009 foram revistas e avaliadas para detecção de questões cujos enunciados não utilizaram casos clínicos, além de erros técnicos de redação identificados como não-conformidades, as quais deveriam ser evitadas conforme o referencial teórico supracitado.

RESULTADOS: Parcela significativa das questões não utilizou casos clínicos em seu enunciado (N=45; 37,50%), o que limita a avaliação de níveis cognitivos mais elevados. Foram encontradas 53 não-conformidades em 41 questões (34,17% da prova). Uma questão apresentou três não-conformidades, 10 questões apresentaram duas não-conformidades e 30 questões, uma não-conformidade. As ocorrências mais comuns foram: questões com enunciado negativo (“exceto”, “não”) (N=10; 8,33%); opções com termos vagos (“freqüentemente”, “geralmente”) (N=9; 7,50%); opções com termos absolutos (ex.: “nunca”, “sempre”, “todas”, “nenhuma”) (N=7; 5,83%) e enunciados “vazios” (“unfocused stems”) (N=7; 5,83%). Dentre as 120 questões, 55 (45,83%) foram consideradas adequadas, seja pelo nível cognitivo mensurado, seja pela ausência de não-conformidades.

CONCLUSÕES: Exames com testes de múltipla escolha, se adequadamente construídos, têm se mostrado uma das melhores estratégias para avaliação cognitiva. Todavia, há dúvidas se tal Exame seria capaz, isoladamente, de concluir sobre a qualidade da formação e a capacidade profissional de futuros médicos. Tais inferências dependem da avaliação de um conjunto de competências dificilmente examináveis por um único método de avaliação. A frequência de problemas técnicos no Exame compromete a justiça da prova (“fairness”), sua validade e confiabilidade, especialmente se houver intenção de utilizá-la para concessão de licença profissional. Além do índice de dificuldade das questões, seria importante também a realização e publicação de análises psicométricas post hoc mais aprofundadas, como os índices de discriminação, a análise fatorial e o alfa de Cronbach, para determinação dos níveis de validade e confiabilidade do Exame. A nota de corte para aprovação deveria ser determinada por métodos específicos, como os de Angoff, Hofstee, Ebel e suas modificações. A disponibilização de um feedback detalhado poderia auxiliar as instituições formadoras na avaliação e requalificação de seus próprios programas. É necessário sistematizar o processo de confecção e análise das questões utilizadas no Exame, bem como ampliar a consonância com as diretrizes curriculares vigentes, no intuito de garantir a qualidade do Exame como instrumento de avaliação dos egressos.



Referências bibliográficas:

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Case SM, Swanson DB. Constructing written test questions for the basic and clinical sciences. 3rd ed (revised). National Board of Medical Examiners, 2002. URL: http://www.nbme.org/PDF/ItemWriting_2003/2003IWGwhole.pdf
Coderre S, Woloschuk w, McLaughlin K. Twelve tips for blueprinting. Med Teach 2009;31:322-324.
Coderre SP, Harasym P, Mandin H, Fick G. The impact of two multiple-choice question formats on the problem-solving strategies used by novices and experts. BMC Med Educ. 2004 Nov 5;4:23.
Collins J. Education techniques for lifelong learning: writing multiple-choice questions for continuing medical education activities and self-assessment modules. Radiographics. 2006 Mar-Apr;26(2):543-51.
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Fraenkel JR, Wallen NE. How to design and evaluate research in education. 7th ed. New York: McGraw-Hill, 2009. 642 p.
Franzen MD. Reliability and validity in neuropsychological assessment. 2nd. Ed. New York: Kluwer/Plenum, 2004. 465 p.
Madaus G, Russell M, Higgins J. The Paradoxes of High Stakes Testing: How They Affect Students, Their Parents, Teachers, Principals, Schools, and Society. Information Age Publishing, 2009. 264 p.
Masters JC, Hulsmeyer BS, Pike ME, Leichty K, Miller MT, Verst AL. Assessment of multiple-choice questions in selected test banks accompanying text books used in nursing education. J Nurs Educ. 2001 Jan;40(1):25-32.
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Pasquali L. Psicometria: teoria dos testes na psicologia e na educação. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 2008. 400 p.
Pasquali L. Validade dos Testes Psicológicos: Será Possível Reencontrar o Caminho? Psic.: Teor. e Pesq., Brasília, 2007, Vol. 23 n. especial, pp. 099-107.
Patto MHS. Para uma crítica da razão psicométrica. Psicol USP 1997;8(1).
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Thompson B. Exploratory and confirmatory factor analysis: understanding concepts and applications. Washington, D.C.: American Psychological Association, 2004. 195 p.
Wagner MB, Motta VT, Dornelles CC. SPSS passo a passo. Caxias do Sul: EDUCS, 2004. 172 p.

domingo, 21 de março de 2010

A melatonina via oral pode causar algum efeito colateral ? ou intoxicação? Por que a ANVISA proíbe sua distribuição?

Também questiono essa proibção da ANVISA, afinal a melatonina (ou N-acetil-5metoxitriptamina)é vendida sem receita em vários países (como bem comentaram no meu formspring), dada sua baixa toxicidade. No portal Visalegis, que contém a legislação sobre Vigilância em Saúde, a única menção à melatonina é a Resolução RE nº 305, de 14 de fevereiro de 2003, que não explica nada, apenas que o registro de medicamentos contendo melatonina é contra a legislação vigentes. E só. Nenhuma explicação. Parece que essa proibição se deu em 1995, devido ao uso que se fazia da melatonina como panacéia anti-envelhecimento. A base teórica para o uso da melatonina para esse fim é seu potente efeito antioxidante e imunomodulatório.

Do ponto de vista prático, a melatonina tem um efeito bem melhor que os benzodiazepínicos, ressincronizando o ciclo circadiano e gerando um sono mais "natural", sem risco de dependência química ou depressão respiratória (o que torna os benzodiazepínicos contraindicados para certas enfermidades psiquiátricas e para a apnéia do sono). O efeito colateral mais comum é a sonolência excessiva. Apesar da necessidade de estudos adicionais, há um temor de que o uso crônico da melatonina possa estar associado ao desenvolvimento parkinsonismo e hiperprolactinemia, o que poderia levar à galactorréia e à ginecomastia. Apesar disso, não vejo problemas no uso eventual e em doses preconizadas (máximo 5mg/dia, o ideal é até 1mg/dia).

Indico melatonina sem medo para pacientes que viajam ao exterior e que querem evitar o "jet lag". Na superdosagem o único efeito colateral que tenho observado é a insônia, pois um dos efeitos da melatonina é aumentar os níveis de noradrenalina no córtex frontal/pré-frontal. Ou seja: uma opção de medicamento que poderia ser muito útil, infelizmente desperdiçada.

sábado, 20 de março de 2010

quais os efeitos do n-hexano no corpo humano ? em que produtos podemos encontrar essa substancia e como evita-la?

Os vapores do n-hexano são irritantes para os olhos e para as vias respiratórias. Em níveis elevados pode provocar dor de cabeça, tonturas, desconforto gástrico e mesmo depressão do sistema nervoso central, com rebaixamento do nível de consciência. Na exposição ocupacional pode levar à neuropatia periférica, com formigamento ou queimação de extremidades e fraqueza. Há diversos outros efeitos relatados. Esses são apenas os mais comuns. Hoje em dia há bem menos produtos contendo hexano, mas ele poderá ser encontrado ainda em algumas colas, adesivos, tintas, vernizes e lacas como solvente da fórmula.

Como o controle sobre isso é ainda muito insuficiente, desconfio que muitas formulações comerciais podem exceder o limite de concentração benzeno, que já é alto (1%). O benzeno é aquele hidrocarboneto aromático que foi oficialmente banido, mas que na prática continua sendo encontrado até em gasolina adulterada. O banimento oficial, apesar de parcial (pois o benzeno ainda é permitido para certos fins), realmente reduziu os níveis de exposição pré-existentes.

Mesmo ainda sendo alvo de bastante estudos por pesquisadores brasileiros, o benzeno foi bastante esquecido por pela maioria dos profissionais e educadores médicos. Causa de malignidades hematológicas e aplasia de medula óssea, não tem limite seguro para exposição, realmente requerendo seu banimento, apesar dos limites oficiais, pouco controlados.

Atendo muitos pacientes anêmicos e leucopênicos (com poucos leucócitos, "glóbulos brancos do sangue"), que expostos ocupacionalmente à produtos à base de hidrocarbonetos, como é o caso do n-hexano. Os rótulos desses produtos muitas vezes ostentam o texto "NÃO CONTÉM BENZENO". Como a anemia e a leucopenia podem ser um sinal de aplasia medular, suspeito que uma boa parte desses produtos possa estar contaminado com mais benzeno que o rótulo sugere.

Curioso é quando temos hemogramas recentes normais, se realizados e pagos pela empresa, como parte do PCMSO; e alterados, quando feitos no laboratório do hospital... Já que perguntar não ofende: há algum controle contra esse tipo de fraude? Se alguém conhecer, me conta...

O ideal é a utilização no ambiente de trabalho de equipamentos de proteção coletiva (enclausuramento, ou "hermetização" do processo) e individual tanto quanto possível (luvas, óculos, máscaras bico de pato com carvão ativado.)

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sexta-feira, 5 de março de 2010

formspring.me

segue alguma doutrina religiosa?

Sim. Apesar de todo o histórico ruim, confesso: sou Católico Apostólico Romano. Mas não curto adoração de imagens, o que me aproxima dos evangélicos. E acredito em espíritos, o que me aproxima dos espíritas. No final, acabo sendo um sincretista, como todo bom brasileiro.

O CEATOX consegue identificar se uma pessoa foi intoxicada "acidentalmente" por umas gotinhas de botox colocadas em seu suco?

O CEATOX não, mas o IML sim. Agora vai colocar botox no seu suco, não no meu.

É verdade que o Fabio Assunção é viado?

Como haveria de saber? Sei apenas que está cuidando de um problema de dependência quimica. Desejo boa sorte a ele nessa empreitada.

Qual o nome da tribo indigena que não consegue perceber a relação de causa e efeito? Você colocou em uma das suas apresentacoes sobre o DDT

São os Xoklengs.

prazer henrique collares !

Olá. Família grande a nossa, hein?

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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Ciclo Circadiano, Melatonina e Depressão

Fiz esta palestra em pleno verão do Rio de Janeiro ano passado para alguns executivos estrangeiros que queriam saber minha opinião sobre a transmissão melatonérgica. Foi um bom momento, que quase mudou minha carreira pra longe da educação de futuros médicos. Hoje pensei que foi bom não ter dado certo.

Minha opinião é de que o novo agonista melatonérgico com antagonismo serotoninérgico seletivo para receptores 5-HT2C, a agomelatina, parece funcionar bem e com poucos efeitos colaterais se comparada a outros fármacos.

Penso que medicamentos com mecanismo de ação similar podem ser eventualmente úteis para uma parcela dos pacientes em que os problemas do sono estejam associados.

Porém, acompanho os relatos de usuários de agomelatina na internet (http://www.erowid.org) e os relatos são bem heterogêneos.

Há muita gente gostando da eficácia do medicamento e sua boa tolerabilidade quando comparado a antidepresivos inibidores seletivos da recaptação da serotonina e os tricíclicos, mais antigos.

Por outro lado, sonolência excessiva e ansiedade paradoxal são experiências também descritas em alguns relatos.

Como não há um grupo controle (placebo) para comparação, não dá pra afirmar muita coisa ainda. Há muita "polifarmácia" nesses relatos pessoais (em inglês classificam a evidência oriunda desses relatos como "anecdotal"), o que deixa mais complicado defender ou acusar a agomelatina tanto de efeitos benéficos quanto maléficos.

Saiu um artigo no final de 2009 "tocando o sarrafo" na agomelatina e defendendo a volta dos tricíclicos, p(h)ode uma coisa dessas?

Não tinha link pra texto online e a redação era sofrível. No resumo, além de listar alguns efeitos colaterais conhecidos da agomelatina, como hepatotoxicidade, ele apontou que 3 dos 4 estudos realizados até a redação desse texto não mostraram eficácia da agomelatina. Todavia, penso que esse autor não tenha conseguido realizar uma meta-análise “desapaixonada”, mais isenta, e não a partir de opinião pessoal.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

"O Cortiço" e o tiro no pé: o caso das indústrias de agrotóxicos e seus esforços de marketing

Há algum tempo eu havia postado uma reportagem sobre agrotóxicos adulterados pela Milenia e a ação conjunta da Polícia Federal e da ANVISA.

Agora, depois de muito tempo do ocorrido, resolvi reproduzir nos links abaixo duas notícias encontradas no site da ANVISA, sobre irregularidades envolvendo a Syngenta - clique aqui - e a Bayer - clique aqui. Faço isso não apenas para ajudar a disseminar essa informação sobre certas práticas de alguns integrantes da indústria de agrotóxicos, mas também para compartilhar uma reflexão com vocês leitores.

É importante ressaltar que o setor produtor de agrotóxicos denomina seus produtos "defensivos agrícolas", na tentativa de tirar do nome desses produtos qualquer vestígio do seu potencial nocivo, apesar da legislação vigente que define claramente tais substâncias como agrotóxicos.

Ironicamente, logo após 1 milhão de quilos de agrotóxicos da Syngenta apreendidos pela ANVISA, a Revista Época oferece um prêmio ambiental para a mesma Syngenta...
Essa situação sui generis me fez lembrar daquele livro do Aluísio Azevedo, "O Cortiço", clássico escolar, em que, apesar do viés demasiadamente determinista-naturalista (e quiçá racista), ilustra de forma magistral a dissociação, o desacoplamento entre a prática pública e particular.

(SPOILER ALERT, não leia este parágrafo se não quiser estragar sua leitura do livro)

Em situação perfeitamente análoga a de certas empresas cujos esforços de relações públicas pretendem exaltar sua suposta responsabilidade socioambiental, o personagem central de "O Cortiço", João Romão, é homenageado como abolicionista benemérito logo após a escrava Bertoleza cometer o suicídio ao descobrir que sua carta de alforria era um engodo.

(FIM DO SPOILER ALERT. Você que incrivelmente passou pela escola incólume, sem ler "O Cortiço", pode retomar sua leitura a partir daqui)

Essa prática tem até nome em inglês ("decoupling" ou desacoplamento) e é definida em ciência organizacional, particularmente nos estudos de "nova teoria institucional", como "a criação e a manutenção de disparidades entre as políticas formais e as reais práticas organizacionais"(MEYER e ROWAN, 1977).

É como se funcionasse nas corporações a famosa "formação reativa" - o mecanismo de defesa do ego associado a inversão de comportamentos e sentimentos, de forma diametralmente oposta ao desejo real.

Pelo que temos visto de práticas corporativas inaceitáveis, é possível que, por psicologia reversa involuntária, a sociedade - que não é tão ingênua - perceba que essas iniciativas de marketing que procuram vender a imagem das empresas como cidadãs e éticas, podem ser, na verdade, uma mera estratégia de obtenção de legitimidade social.

Curioso notar que o caso da Syngenta chega às raiais do tragicômico: até Circuito de Viola eles estão patrocinando, com o beneplácito do Ministério da Cultura. Tem maior chancela oficial de que eles são "mocinhos"? Deve ter sido um êxtase para a empresa e responsáveis pela sua imagem corporativa.

Mais ingenuidade do que achar que as empresas são boazinhas e estão mais preocupadas com a saúde e o ambiente do que com seus lucros, só mesmo acreditar que o Estado é um paizão super legal e que todos os artigos científicos são livres de cooptação...

Não duvido que existam iniciativas verdadeiras de responsabilidade socioambiental; todavia, como é difícil verificar se a ética permeia todas as práticas corporativas e não apenas essas iniciativas que considero como "fachada", é possível que muitas pessoas se percam no fluxo de informação e acabem comprando a falsa imagem de "beneméritas" que essas empresas querem nos vender.

Como educador é meu dever acreditar no potencial de evolução de todos... Então quem sabe, aos poucos, a Syngenta, a Bayer e a Milenia não aprendem a fazer as coisas certas?

Só espero que nossa população com tão poucas oportunidades educacionais não acabe como a pobre Bertoleza - eviscerada por si mesma para não perder a liberdade, mas que bem lá no fundo, se colocou nessa situação fatal ao se deixar enganar pela conversa fiada do galã explorador sem escrúpulos que resolveu repentinamente virar "nobre".

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Caso os links saiam do ar, os textos estão abaixo:

Brasília, 28 de setembro de 2009 - 9h25
Fiscalização apreende agrotóxicos adulterados na Bayer

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária interditou, na última sexta-feira (24), 1 milhão de litros de agrotóxicos adulterados, em Belford Roxo (RJ). A fiscalização, realizada pela Agência com apoio da Polícia Federal, ao longo de toda semana passada na empresa Bayer, de origem alemã, identificou a produção de agrotóxicos com formulação adulterada, sem autorização dos órgãos competentes.
No total foram encontradas irregularidades em 12 agrotóxicos. O caso mais grave, identificado pela Agência, foi a importação do ingrediente ativo do agrotóxico Procloraz e a produção do agrotóxico comercial Sportak 450 EC, sem controle obrigatório de impurezas toxicologicamente relevantes. A falta desse controle pode causar câncer nos trabalhadores expostos ao agrotóxico e na população que ingere alimentos contaminados com tais produtos.

A interdição é valida por 90 dias, prazo em que os produtos não poderão ser produzidos nem comercializados. Caso sejam comprovadas as irregularidades, a empresa poderá pagar multa de até R$ 1,5 milhão por irregularidade.

No começo do ano, a Bayer, segunda maior empresa no segmento de agrotóxicos em todo mundo em 2008, teve o registro do agrotóxico Evidence (imidacloprido) cancelado. O produto, usado nas culturas de cana de açúcar e fumo, era produzido com adulteração na fórmula.

Adulteração

Agrotóxicos são produtos com alto risco para saúde e meio ambiente e, por isso, sofrem restrito controle de três órgãos de governo: Anvisa, IBAMA e Ministério da Agricultura. Alterações na fórmula desses produtos aumentam significativamente as chances do desenvolvimento de diversos agravos à saúde como câncer, toxicidade reprodutiva e desregulação endócrina em trabalhadores rurais e consumidores de produtos contaminados.

Só este ano, a Anvisa já apreendeu, 4,5 milhões de litros de agrotóxicos adulterados. As fiscalizações ocorrem, principalmente, quando são identificados indícios de irregularidades nos produtos acabados.

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Brasília, 5 de outubro de 2009 - 9h50
Fiscalização apreende 1 milhão de quilos de agrotóxicos na Syngenta

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) interditou cerca de 1 milhão de quilos de agrotóxicos com irregularidades e adulterações, na fábrica da empresa Syngenta, de origem suíça, em Paulínia (SP). Os problemas foram encontrados após fiscalização da Agência, realizada na última semana.

Após três dias nas instalações da maior empresa em vendas de agrotóxicos no Brasil e no mundo no ano de 2008, a equipe da Anvisa encontrou várias irregularidades na importação, produção e comércio de produtos agrotóxicos. A ação contou com apoio da Polícia Federal.

Do total de produtos interditados, 600 mil kg correspondiam a agrotóxicos e componentes com datas de fabricação e de validade adulteradas. Esses produtos não poderão ser utilizados ou comercializados até que se restituam as datas verdadeiras de produção e de validade.

A empresa também foi autuada por destruição total das etiquetas de identificação de lote, data de fabricação e de validade do agrotóxico Flumetralin Técnico Syngenta, igualmente interditado. Vários lotes do mesmo produto também foram interditados por apresentarem certificado de controle de impurezas sem assinatura, data da sua realização ou com data de realização anterior à produção do lote analisado.

O controle de impurezas toxicologicamente relevante no Flumetralin Técnico é obrigatório uma vez que tais impurezas são reconhecidamente carcinogênicas e capazes de provocar desregulação hormonal. Também foram interditados todos os lotes do produto PrimePlus, formulados com os lotes interditados do Flumetralin Técnico.

Outro produto técnico interditado com o certificado de análise insatisfatório (sem assinatura e sem a quantidade real de ingrediente ativo) foi o Score Técnico. Já o agrotóxico Verdadeiro 600 teve as embalagens interditadas por confundir o agricultor quanto ao perigo do produto. Apesar de ser da classe toxicológica mais restritiva, as cores dos rótulos do referido agrotóxico induziam o agricultor a concluir que o produto poderia ser pouco tóxico.

A Syngenta também foi autuada por venda irregular do agrotóxico Acarmate (Cihexatina). A fiscalização da Anvisa identificou que o produto, com venda restrita ao estado de São Paulo, era comercializado para outros estados.

A empresa foi notificada, ainda, a efetuar alterações no sistema informatizado que possui de modo que seja possível controlar efetivamente, lote a lote, a quantidade dos componentes utilizados nos Produtos Formulados. Dentro de 30 dias, a empresa está sujeita a nova fiscalização para verificação do cumprimento das condições estabelecidas na notificação.

As infrações encontradas podem ser penalizadas com a aplicação de multas de até R$1,5 milhão e com o cancelamento dos informes de avaliação toxicológica dos agrotóxicos em que foram identificadas tais irregularidades. Em caso de possibilidade de outras infrações além das administrativas, a Anvisa encaminha representação à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal para possível investigação criminal.

Adulteração

Agrotóxicos são produtos com alto risco para saúde e meio ambiente e, por isso, sofrem restrito controle de três órgãos de governo: Anvisa, IBAMA e Ministério da Agricultura. Alterações na fórmula desses produtos aumentam significativamente as chances do desenvolvimento de diversos agravos à saúde como câncer, toxicidade reprodutiva e desregulação endócrina em trabalhadores rurais e consumidores de produtos contaminados.

Só este ano, a Anvisa já apreendeu, 5,5 milhões de litros de agrotóxicos adulterados. As fiscalizações ocorrem, principalmente, quando são identificados indícios de irregularidades nos produtos acabados.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Farmacocinética básica

Esta aula de Farmacocinética é bem básica, mas auxilia um pouco o processo de aprendizagem do tema. Sugiro associar com exercícios de aplicação clínica. Aceito sugestões e colaborações para melhoria da aula, como sempre. Uma pena que durante a conversão para o slideshare, tenha havido uma mudança na cor dos títulos de amarelo para preto, o que prejudica um pouco a legibilidade.

Farmacovigilância básica

Se você sempre quis saber como identificar se uma manifestação clínica é um efeito colateral, esta aula é pra você. São informações básicas, incompletas, mas que podem ajudar a reflexão sobre o tema. Aceito sugestões para melhoria. Sintam-se livres para colaborar.
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